sábado, 8 de julho de 2017

Coração Ki - Espiritualidade em Mafra

Localizado em Mafra, o Coração ki é um espaço alternativo para quem procura um estilo de vida holístico, integrado na espiritualidade da Natureza. 


Todas as sextas feiras às 21H00 Meditação 
Todas as sextas feiras às 19H00 Meditação para crianças

Agenda de Julho:


9 JULHO .... 20H30 .... Meditações das Luas - Lua Cheia
13 JULHO .... 20H00 .... Workshops Corte de Cordas
17 JULHO .... 20H00 ..... Encontro Com o Teu Ser
23 JULHO .... 8H30 ..... O Encontro com a Natureza do Coração ki
27 JULHO .... 20H00 ..... Workshop de Iniciação á Meditação
30 JULHO .... 9H30 ..... 3ª Caminhada Happy Me! Meditação às 11H00 no Parque Desportivo de Mafra.





Marcações por telm. 918820638 ou por mensagem privada através do FaceBook

Todos os dias por marcação:

Consultas de Aconselhamento Pessoal e Energético.
Terapia Multidimensional
Leitura da Aura
Terapia de Reiki
Regressão

Namasté _/|\_

domingo, 4 de dezembro de 2016

Ayurveda, Herbalismo e Corpo - Palestra Gratuita - Espaço Metamorphoses

Quarta-feira, 14 de Dezembro das 20:00 às 21:30, terá lugar no Espaço Metamorphoses, na Parede, uma palestra gratuita onde serão abordadas diversas temáticas relacionadas com a Medicina Ayurveda e a Massagem.

O conhecimento das energias que governam o nosso organismo é a chave-mestra em qualquer processo de cura, seja no nível físico, seja nos planos mental ou espiritual. Nesta palestra terá a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a Medicina Ayurveda e entender melhor as necessidades do seu organismo.
Reserve lugar e embarque connosco nesta viagem pelo mundo energético do corpo. 
  • Origens e fundamentos da Medicina Ayurveda
  • O sistema Tridosha
  • As energias elementares nas plantas e nos alimentos de que forma somos influenciados por aquilo que comemos 
  • A Massagem Ayurvédica como terapia e rito iniciático feminino
  • Indicações e contra-indicações da massagem
  • O uso de ervas medicinais na Massagem Ayurvédica
Faça a sua reserva por mensagem, email ou telefone, em:
Namasté _/|\_

sábado, 5 de março de 2016

Uma Primavera Abortada

Durante a última semana, a Câmara de Cascais - ou qualquer outra entidade que gasta o dinheiro público em empreitadas contra o público - decidiu fazer uma "limpeza" na zona da velha Bateria Militar. E limpou, de facto, espécies endémicas de valor medicinal e ecológico, que tinham feito daquele espaço um refúgio contra a pressão do urbanismo desregrado. 

Sem qualquer critério selectivo, os carrascos eliminaram uma boa parte das espécies catalogadas no Herbário Virtual da Vila de Parede. Entre estas espécie contam-se o hipericão (Hipericum perforatum), espargos-bravos (Asparagus albus e A. Aphyllus), melilotos (Melilotus albus, M. officinalis e M. indicus), joina-das-areias (Ononis viscosa), borragem (Borago officinalis), erva-prata (Paronychia argentea), alcachofras (Cynara scolymus e C. humilis), fel-da-terra (Erythraea centaurium), gerânio-peludo (Geranium rotundifolium), linho-de-inverno (Linum usitatissimum), cenoura-selvagem (Daucus carota), verbena (Verbena officinalis), trovisco (Daphne gnidium), verbasco (Verbascum sinuatum), salva-dos-caminhos (Salvia verbenaca), malvas (Malva sylvestris e M. multiflora), carlina (Carlina corymbosa), centáurea-calcitrapa (Centaurea calcitrapa), alhos-selvagens, cardos, galactites, crepis e todo um manancial florístico que começava a despertar, a trazer alimento às abelhas e cor às nossas vidas saturadas de Inverno e frio. 
Antes
Depois...
A Vila de Parede viu, assim, a sua Primavera abortada.

As amendoeiras, que estavam ainda em floração, também não escaparam à serra-eléctrica. Nem o branco das flores lhes valeu. As fotos mostram como era e como está, uma obra-prima do mau-gosto e da estupidez humana. 

Chasmanthe aetiopica
Mas devo rectificar o que acima disse, pois não foi uma devastação aleatória, não; houve um seleccionamento - um único - de uma espécie alógena e invasora, o lírio-do-nilo (Chasmanthe aetiopica), que foi poupada pela sua graciosa aparência e que reina agora numa paisagem vazia e que não lhe pertence. Sim, os humanos comportam-se perante as plantas da mesma forma que se comportam perante outros humanos, seleccionam-nas de acordo com critérios meramente estéticos, não conseguindo sequer intuir de onde vem o ar que respiram, a comida que comem, a água que bebem e os medicamentos que os aliviam em horas de aflição. 

Onde antes havia verdejantes alpistas (Phalaris spp.) e alexandres (Smyrnium olusatrum), há agora um rasto de destruição, como se toda a zona tivesse sido varrida por um tornado.

Como era...
As abelhas e os zângãos ainda por lá andam, à deriva naquele mortório, em busca do tão esperado néctar que há poucos dias tinha brotado.
Como está...
E assim foi a "limpeza". Para trás ficou o lixo: garrafas de vidro e plásticos enfeitam o chão nu. O ser humano sempre apreciou flores de plástico e imitações... Deve ser por isso que os plásticos foram mantidos. Como bem diz o povo, para tudo há uma razão...






Agora é a lei do mais forte. As plantas invasoras têm o terreno aberto e disseminar-se-ão rapidamente como células cancerígenas, minando o caminho à flora local. Uma história já bem conhecida. Mas o que esperar de profissionais que ao serem chamados para cortarem uma palmeira doente, cortaram um cedro?

Boa Primavera!

sábado, 30 de janeiro de 2016

Pontos Marma e sua Relação Científica

Na próxima sexta-feira, dia 5 de Fevereiro, pelas 18.30, decorrerá na Alba, em Lisboa, uma palestra gratuita que incidirá sobre a importância dos Pontos Marma na Medicina Ayurvédica.

Os Pontos Marma são um dos principais focos de atenção da massagem ayurvédica pelo seu importante papel psicossomático, isto por estarem ligados a determinados órgãos, aos srotas (canais) e aos chakras. São locais de concentração de prana, ou de energia vital, estabelecem uma ponte entre o Pranamayakosha (corpo etéreo) e o Anamayakosha (corpo físico ou denso) e distribuem-se ao longo dos nadis para levar a energia a todas as regiões do corpo de acordo com os vayus (ventos) que dirigem. Estes pontos formam redes energéticas entre si e situam-se em locais de confluência de tecidos; ao manipularmos os marma, estamos a trabalhar os nadis e os chakras. O Sushruta Samhita classifica-os de acordo com o tipo de dhatus (tecidos) com os quais se relacionam directamente. Assim, existem marmas mamsa (nos músculos), sira (vasos sanguíneos), snayu (nos ligamentos), ashti (nos ossos) e sandhi (nas articulações). Cada marma é igualmente descrito dentro de uma tipologia relacionada com os elementos que nele se manifestam e que quando perturbados conduzem a diferentes graus de lesão. Os marmas tipo Rujakara são dotados de fogo e ar e causam dor intensa; os Vaikalyakara são regidos pela água e pela Lua e causam deficiência quando lesionados; os Visalya Pranahara são regidos pelo ar e podem ser fatais se perfurados, visto originarem uma progressiva perda de prana; os Kalantara Pranahara são dotados de água e fogo, e quando feridos induzem coma e morte ao fim de um certo tempo; os Sadya Pranahara são os mais sensíveis, são os marmas-fogo e reúnem os cincos tecidos acima descritos. Uma lesão num marma deste tipo leva imediatamente à morte.    

Existem três grandes marmas, ou mahamarmas, relacionados com os doshas e com os chakras. São eles o Sthapani, localizado entre as sobrancelhas (Vata - chakra Ajna ), o Hridaya, no esterno (Pitta - chakra Anahata) e Bastih, abaixo do umbigo (Kapha - chakra Svadhisthana). Embora a massagem ayurvédica beneficie os três biotipos de forma equitativa, de modo a promover o equilíbrio dóshico, actua mais visivelmente consoante as tendências patológicas de cada dosha:

Vata: A massagem equilibra a actividade intestinal e o sistema nervoso, favorece a circulação sanguínea, diminui a ansiedade, alivia a dor, o stress e a rigidez muscular, aumenta a auto-estima e reduz problemas de sono.

Pitta: Promove o arrefecimento corporal, desintoxica o sangue e o fígado, reduz a acidez e apazigua as emoções negativas.

Kapha: Melhora a circulação sanguínea e sobretudo a linfática, alivia problemas respiratórios, liberta os tecidos adiposos, acelera o metabolismo, promove o emagrecimento e reduz edemas.

Um marma disfuncional ou doente, por norma apresenta certa rigidez ao toque e causa bloqueios energéticos, consequentemente doenças. O seu desbloqueio proporciona o alívio de dores e confere ao paciente maior sintonia emocional e maior poder de acção.
Diversas são as terapias que podem ser aplicadas no desbloqueio destes pontos vitais. De entre elas destacam-se a Acupressão, a Acupunctura, a Moxabustão, a Cromoterapia, o uso de vibração com diapasão ou taças tibetanas, a aplicação de pedras quentes e frias, ventosas, Reiki e a Aromaterapia, quer mediante o uso das ervas, quer sob a forma de óleos essenciais, sendo que estes devem ser escolhidos tendo em conta não apenas o marma e a patologia, mas também o dosha agravado.

Os óleos essenciais e vegetais, onde se enquadram as tailas ayurvédicas e os cataplasmas, podem ser aplicados sobre os pontos marmas com ou sem o auxílio de acupressão, de forma a estimulá-los. A acupressão durante a massagem amplifica os efeitos dos óleos e vice-versa, isto porque estimula o sistema nervoso periférico e a libertação de endorfinas e adenosina, neurotransmissores com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.


sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Um Samhain Aromático

O Halloween assenta num substracto cultural muito antigo, e mais não é do que a cristianização do Samhain, o Ano Novo celta, a noite em que todas as fronteiras são transpostas, data que na Antiguidade era assinalada pelo surgimento da constelação das Plêiades no firmamento.  

As crianças de hoje gostam do Halloween pelos doces, pelas mascaradas, pelas brincadeiras, desconhecem a sua origem e significado, procuram fantasmas vestidos com lençóis brancos, bruxas em vassouras e vampiros, razão pela qual os países do hemisfério Sul fazem festas de halloween na noite que para eles seria - e é - a de Beltane. Não existe prova maior de que o Halloween e o Samhain se tornaram festividades distintas nos tempos modernos.

Mas, longe de toda esta folia ruidosa, há quem ainda celebre o verdadeiro Samhain, quem se refugie no silêncio profundo da noite e abra a mente em busca dos que já partiram, dos que estão do lado de lá, dos que nos visitam nesta época tão extraordinária.

Óleos essenciais para a noite de Samhain, para usar em queimador ou em pot-pourri:

Cedro, pinheiro, erva-cidreira, verbena, mirra, tomilho, laranja, tangerina, sândalo, incenso, patchouli, canela, gengibre e cipreste.   

E para quem está no hemisfério Sul e celebra Beltane:

Gerânio, limão, rosa, ylang-ylang, jasmim, pimenta-preta, incenso, sândalo, baunilha, neroli, noz-moscada, cardamomo, pau-rosa e alecrim. 

Feliz noite de Samhain... ou de Beltane!

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Óleo de Côco (Cocus nucifera)

Família: Arecaceae.

English Name: Coconut oil.
  
Origem: Brasil, Índia, Sri Lanka, Tailândia, África do Sul, entre outros países.

Partes Usadas: Leite e polpa seca de côco.

Aroma: Suave, doce, fresco. 

Cor: Incolor e hialina, quando liquido.

Princípios Activos: Ácidos linoléico (ômega-6), oléico (ômega-9), palmítico, caprílico, láurico, decanóico e mirístico; ferro e vitaminas E e K.

Propriedades: Anti-inflamatório, emoliente, anti-acneico, antibacteriano, vulnerário, cardiotónico, laxante, neurotónico, anti-envelhecimento, antifúngico, anticolesterol 

Usos: Os ácidos gordos de cadeia média presentes no óleo de côco são digeridos directamente pelo fígado e transformados em energia usada pelo cérebro, sobretudo em casos de Alzheimer, quando o cérebro começa a utilizar cetonas em detrimento dos açúcares. Da mesma forma funciona contra a epilepsia, sobretudo em crianças. Previne doenças cardiovasculares, maximiza e rentabiliza a absorção de prana (energia), contribuindo para a perda de peso. Doce e refrescante, em massagem ayurvédica é ideal para o tratamento de indivíduos de constituição Pitta e para os desequilíbrios deste dosha. Trata queimaduras, fissuras, acne, inflamações, infecções fúngicas e actua como rejuvenescedor e protector solar, sendo um dos poucos óleos nos quais podemos confiar para este efeito.  Devido à presença dos ácidos láurico e caprílico, é um poderoso antiviral e antibacteriano, nomeadamente contra bactérias dos géneros Staphylococcus e Candida

Cuidados: Este óleo é susceptível de solidificar quando exposto a temperaturas inferiores a 25ºC. 

Curiosidades: Na Índia, o côco é um fruto sagrado, dedicado a Brahma e a Shiva, bem como a outras divindades, como a deusa da prosperidade, Lakshmi. Na Kalasha, o pote védico da abundância, sabedoria e imortalidade, associado aos cinco elementos, o côco surge em representação do éter (Akasha) e do chakra Sahasrara (coronário).  O nome «côco» foi-lhe atribuído pelos portugueses, que o associaram a um monstro infantil, semelhante a um ogre, devido à sua aparência crespa. Em Terras de Vera Cruz, ao servirem-se deste fruto como alimento, começaram a referir-se a ele como «carne vegetal». 

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Óleo de Linho (Linum usitatissimum)

Família: Linaceae.

English Name: Linen oil.
  
Origem: Bélgica, Alemanha, Canadá, Suíça, França, Espanha, Itália, Turquia, Guatemala, Malásia, entre diversos outros países.

Partes Usadas: Sementes.

Aroma: Suave e doce, ligeiramente empirreumático. 

Cor: Amarelo-torrado.

Princípios Activos: Ácidos Alpha-linolénico (ômega-3, 57%), linoléico (ômega-6), oléico (ômega-9), gamma-linolénico, palmitoléico (ômega-7), palmítico, esteárico; cálcio, magnésio, potássio, fósforo e enxofre, bem como vitaminas E, fibras e mucilagem.

Propriedades: Anti-inflamatório, emoliente, anti-acneico, antibacteriano, antidepressivo, vulnerário, anti-diabético, cardiotónico, anti-tússico, laxante, anti-tumoral, anti-cancerígeno, neurotónico, anti-hemorrágico, antioxidante, anti-envelhecimento, estomacal, carminativo, anti-seborréico, anti-queda de cabelo.

Usos: Quer na alimentação, quer em massagem, promove o emagrecimento, melhora o grão da pele, elimina acne e aczema, auxilia em casos de psoríase, trata queimaduras e rosácea, acelera a cicatrização de feridas e contribui para a redução dos sinais de envelhecimento. O óleo de linhaça promove a fertilidade, tanto feminina, como masculina, reduz as dores menstruais, evita metrorragias e atenua os sintomas da menopausa. É útil do tratamento e prevenção do cancro, tumores, diabetes, doença de Parkinson, lúpus, alergias, anemia, arteriosclerose, esclerose múltipla, doenças cardiorespiratórias e neurológicas. 

Cuidados: Apenas a sua ingestão deve ser moderada (três colheres de sopa/dia). 

Curiosidades: Foi o primeiro óleo usado na Península Ibérica pelos povos neolíticos. A sua extracção encontra-se bem documentada no registo arqueológico, muito antes do azeite. Carlos Magno e Gandhi recomendavam-no, assim como à ingestão das sementes, para manutenção da saúde. Na Idade Média, este óleo era usado contra o quebranto e a feitiçaria.

Ler mais no Herbário

domingo, 4 de outubro de 2015

Mostarda (Sinapis alba)

Família: Brassicaceae.

English Name: Mustard oil.
  
Origem: UE, Canadá, Nepal, Myanmar, Rússia, Ucrânia, EUA.

Partes Usadas: Sementes.

Aroma: Característico, pungente. 

Cor: Dourado.

Princípios Activos: Ácidos erúcico, eicosanóico, beénico, tetracosanóico, linoleico, α-linolénico, silício, palmítico, oleico, esteárico; lecitina, cálcio, ferro, zinco, sódio,  magnésio, potássio e fósforo, bem como vitaminas A, B1, B2, B3, B6, B9, B12, C, E e K.

Propriedades: Anti-inflamatório, anti-fúngico, rubefaciente, anti-asmático, descongestionante, emoliente, anti-acneico, antibacteriano, antidepressivo, anti-hemorrágico, vulnerário, anti-queda de cabelo, anti-caspa e anti-reumatismal. 

Usos: Empregue em massagem ayurvédica no tratamento de indivíduos de constituição Kapha e Vata, bem como em desportistas e pacientes que sofram de artrite, rigidez e dores musculares, dilatação do baço, inflamações e má circulação.  Usado em casos de fadiga muscular, acne, feridas e bronquite. Melhora a textura e a pigmentação da pele e actua como rubefaciente, activando a circulação e limpando os poros, sobretudo quando combinado com açafrão em pó como esfoliante. O óleo obtido da mostarda-amarela pode ser usado em zonas sensíveis, como os olhos, o nariz, a garganta e os genitais, mas não sem aconselhamento médico. Aplicado na cabeça previne a queda de cabelo e doenças do couro-cabeludo.  

Cuidados: Usar preferencialmente diluído noutro óleo carreador, como o de amêndoas-doces ou o de sésamo. 

Curiosidades: É um dos óleos mais utilizados pela medicina ayurvédica como óleo de Inverno, devido a sua capacidade de gerar calor. No fabrico de sabão, resulta melhor quando combinado com manteiga de karité, aloé e óleos essenciais de tea tree (malaleuca), erva-príncipe, alfazema e menta. 

Ler mais sobre a Mostarda no Herbário

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Óleo de Sésamo (Sesamum indicum) Gergelim

Família: Pedaliaceae.

English Name: Sesame oil.
  
Origem: Índia, China, Myanmar, Brasil, Tailândia, Paquistão, Etiópia, Sudão, Uganda, entre outros.

Partes Usadas: Sementes.

Aroma: Desde neutro (refinado) a empirreumático, ligeiramente torrado. 

Cor: Âmbar.

Princípios Activos: Ácidos linoleico (45%), α-linolénico, silício, palmítico, oleico, esteárico; lecitina, cálcio, ferro, cobre,  magnésio e fósforo, bem como vitaminas E, K, e B6.

Propriedades: Emoliente, hidratante, anti-inflamatório, antibacteriano, dermoprotector, rejuvenescedor, regenerador do tecido cutâneo, antioxidante, tónico-cerebral, anti-caspa, neurotónico, anti-reumatismal, anti-celulítico, anti-viral e nutriente. Neutraliza os radicais livres de oxigénio sob a pele, retém a humidade e escurece os cabelos.

Usos: Empregue em massagem ayurvédica para tratamento de indivíduos de constituição Vata, uma vez que estimula o dosha Pitta. Auxilia em casos de dermatite, eczema e psoríase. Atenua a rigidez muscular e contribui para o alívio do stress. Por ser um extraordinário tónico cerebral e também benéfico em casos de caspa, secura do couro-cabeludo e queda de cabelo, é usado para massajar a cabeça. As sementes negras são preferíveis para uso capilar. Também utilizado em gastronomia, sobretudo durante o Inverno, actua como anti-inflamatório, aumenta a fertilidade, trata gota, artrite reumatóide, problemas ósseos e articulares. É igualmente usado no fabrico de sabão, cremes e champôs hidratantes, bálsamos labiais e margarinas.  
  
Cuidados: Dada a sua consistência, torna-se difícil de lavar a roupa que tenha estado em contacto com ele.

Curiosidades: A expressão “abre-te sésamo” parte do facto de as suas cápsulas maduras e deiscentes se abrirem mal as tocamos. O sésamo é citado por Homero na Íliada e estima-se que o seu cultivo seja anterior ao século XIII a.C., na Índia e Mesopotâmia.  

domingo, 20 de setembro de 2015

Carvalho - O Arauto do Outono

Mítico guardião do conhecimento, altar de deuses, morada feérica, avatar druídico, templo. O carvalho faz-se acompanhar por uma extensa simbologia céltica, de raiz indo-europeia, ligada à sabedoria, à realeza, à força, à protecção e à estabilidade.

É desde há muito a madeira favorita dos vinicultores, usada nesse longo processo alquímico que é evolução de um vinho. Mago do tempo, o carvalho é detentor de um estatuto ímpar no mundo da Enologia, mas o seu valor não fica por aqui, e foi na religiosidade dos povos europeus e na sua medicina popular que estas magníficas árvores deram os primeiros passos na vida do Homem. Algumas das suas propriedades curativas migram para os vinhos na forma de ésteres, lactonas, taninos e fenóis, estruturando-os, impregnando-os de novos aromas, amaciando-os, transformando-os. Vamos tentar conhecer um pouco mais sobre estas espécies que chegam com frequência às nossas mesas de forma velada.

Guardião ancestral, coroa qualquer paisagem onde caia a sua semente. Podendo ultrapassar os imponentes trinta metros de altura, chega a tornar-se num megafanerófito ao longo dos séculos que lhe são dados viver. De tronco robusto e ritidoma acinzentado, escuro e fendido, apresenta folhas decíduas ou marcescentes, consoante a idade e a espécie, verde-claras quando jovens, alternas, sinuado-lobadas, com lobos arredondados ou obtusos, e pecioladas. Trata-se de uma espécie monóica, com flores masculinas e femininas no mesmo exemplar. Também à semelhança de outras espécies do género Quercus sp., as flores do carvalho surgem antes do Verão e organizam-se em espigas pendentes (amentilhos), tendo as femininas duas a três flores. O fruto, maduro no Outono, é uma bolota oblonga e clara, inserida numa cúpula de escamas quase planas ou imbricadas como se de telhas se tratassem. Os carvalhos podem apresentar excrescências vermelhas, os chamados «bugalhos», provocadas pela picada de um insecto do género da cochinilha, os quais são ricos em taninos e usados em tinturaria, no curtimento de peles e na obtenção de corantes alimentares.

Europeus silicícolas ou calcícolas, têm preferência por terrenos com certa humidade eprofundidade, e podem ser encontrados desde as Ilhas Britânicas, das quais são emblemáticos, até à Anatólia, onde eram venerados pelos Celtas Gálatas. Segundo Estrabão, o «Drunemeton» era um bosque-templo formado por carvalhos, onde se reuniram as três tribos celtas gálatas, os Tolistobogos, os Tectósagos e os Trocmos. Em Espanha encontramos uma «Nemetóbriga», bosque supremo, e ao longo do Ocidente europeu deparamo-nos diversas vezes com o radical «nemeton», carvalhais sagrados, que encontram eco nas mitologias e nas lendas locais e são corroborados pela Arqueologia, através do estudo das sementes (Palinologia), bem como pela literatura clássica e medieva.

Seja qual for a sua espécie, o carvalho tem muito para oferecer. O ritidoma dos ramos jovens, colhido em Maio, quando é facilmente destacável, é a parte mais utilizada para fins terapêuticos, podendo ser tomado em pó, em decocção ligeira, ou diluído em tinturas ou vinhos. A fusão dos princípios activos que comporta (taninos, a pectina, o cálcio, os ácidos gálico e elágico, e a fluroglucina) constitui em antídoto eficaz para certos tipos de veneno, como a nicotina (alcalóide), servindo como purificante em casos de intoxicação tabagista e retardando a absorção de alcalóides. Não deve ser tomado juntamente com medicação, uma vez que também retarda o efeito desta. Fortemente adstringentes, o ritidoma, as folhas secas, os bugalhos e as bolotas, são empregue em casos de disenteria aguda e incontinência urinária. Como tónico, expectorante, hemostático, antipirético, descongestionante e anti-séptico, é usado no tratamento de gripes, constipações, tosses, tuberculose, leucorreia, bronquite, faringites, desordens hepáticas e febres.

Externamente, em decocção, tintura ou cataplasma quente, é empregue em casos de acne e demais erupções cutâneas, hemorroidal, inflamações genitais e transpiração excessiva dos pés. As folhas podem ser usadas para acelerar processos de compostagem para enriquecimento de terrenos, e a sua seiva tem sido empregue como repelente de insectos e lesmas em agricultura biológica!

A essência do carvalho é uma das mais utilizadas na terapia por Florais de Bach, restituindo aos pacientes a calma, a força e o equilíbrio perdidos com a sobrecarga laboral e emocional a que a sociedade contemporânea nos sujeita.

Usados em tinturaria, os bugalhos fornecem vários tipos de pigmento consoante o mordente utilizado. Misturados com óxido de ferro, deles obtém-se uma coloração negra; se misturados com óxido de cobre, resulta num tom dourado; se usado alumínio, resulta em castanho; e com sulfato de ferro obtém-se um tom arroxeado.

Pouco apreciado, porém provedor em épocas de escassez, como as que se faziam sentir regularmente nas sociedades pré-industriais. A bolota do carvalho, muito rica em fécula, era laminada e usada em substituição dos frutos secos, ou farinada e empregue em panificação sempre que os cereais rareavam. A abundante presença de taninos confere-lhe um sabor amargo, o que era neutralizado pela sua demolha na água corrente de um rio ou pelo seu enterramento temporário.  À semelhança dos frutos de outras fagáceas colhidos no Outono, as bolotas eram por norma envoltas num pano de linho e enterradas em leitos aquáticos durante todo o Inverno. Também do tronco do carvalho se extraía uma goma comestível, usada em frituras.

Uma das espécies mais usadas em tanoaria para vinificação e estágio é a Q. rubor, o carvalho-roble, também conhecido por carvalho-inglês ou alvarinho, talvez a mais taninosa de entre as madeiras empregues em enologia, quer em barricas quer sob a forma de lascas para maceração ou ainda como essência. Em latim, o termo rubor designa simultaneamente «carvalho» e «força», que pela via popular originou em Português o adjectivo «robusto». De facto, a robustez é um dos maiores predicados desta árvore, cuja longevidade está intrinsecamente associada à sabedoria. Na Europa, os dois exemplares mais antigos encontram-se na Letónia e a Bulgária, com idades acima dos mil e quinhentos anos.

Certos mitos encontram fundamento na realidade, e assim é no caso do carvalho, do qualsempre se disse que atraía e neutralizava os raios da fúria de Zeus, durante as tempestades que este deus olímpico abatia sobre a humanidade. Na verdade, esta árvore funciona como um para-raios eficaz e natural, espécie de fio-terra que neutraliza a electricidade canalizando-a para o solo. Talvez por esta razão ainda hoje exista o costume de tocar a madeira para afastar as más energias invocadas inadvertidamente durante as conversas. Esta actividade protectora assumiu ao longo dos tempos um carácter mais amplo, mágico e apotropaico. Como genius loci, o carvalho era presença assídua nas casas brasonadas e acreditava-se que o seu derrube comportaria a desgraça da família por ele protegida. Esta tradição, transversal ao mundo europeu, celebrizou-se numa profecia feita a uma família escocesa, os Hay, proprietários das terras de Errol em Perthshire. Dizia-se que uma vez morto o carvalho, «cresceria erva sobre a lareira» familiar. No início do século XIX, o abate da árvore centenária coincidiu com a ruína e subsequente venda da propriedade dos Hay. Coincidência? Episódio semelhante ter-se-á passado em Inglaterra no século XVII, quando em Outubro de 1649 os enviados de Cromwell à propriedade de Woodstock, logo após a decapitação do rei Carlos I, supostamente desencadearam uma série de fenómenos de poltergeist e aparições fantasmagóricas por terem abatido o enorme carvalho do qual o falecido rei tanto gostava.

Investido num papel mágico-religioso, o carvalho funciona simultaneamente como templo e axis mundi, um eixo de comunicação entre o plano dos deuses e o da humanidade. Relacionado com os mundos feérico e divino, esta árvore, cujas raízes penetram profundamente na esfera telúrica, parece ter tido uma outra origem que não a terrena, estando quase sempre associada aos deuses da tempestade, do raio e do trovão. Na Grécia Antiga era governada por Zeus, em Roma por Júpiter, no mundo eslavo era pertença do deus Perunú, na Prússia pertencia a Ramowe, entre os celtas ibéricos era teofania da deusa Drusuna. Ao longo da faixa ocidental europeia, o carvalho é morada do povo das fadas e avatar druídico. A palavra druida, de acordo com Plínio, o Velho, radica no vocábulo grego «drus», carvalho, ao qual se acrescentou o sufixo «vide», que parece derivar do sânscrito «veda», ciência, conhecimento, o que não é estranho, visto as línguas célticas derivarem, assim como o Latim e o Grego, do Indo-europeu, que por terras europeias assentou progressivamente num substracto linguístico autóctone neolítico, à medida que os grupos indo-europeus foram chegando vindos do Vale do Indo e das estepes russas. Assim, «druida» significará algo como carvalho sábio ou homem-carvalho. Neste ponto, o carvalho e a videira entrelaçam-se não apenas nos vinhos que engendram mas também foneticamente, já que ambos transportam nos seus nomes o imago da sabedoria divina concretizada no Homem.  

Longe de ser visto apenas como uma árvore, tudo quanto envolvesse o carvalho eraritualizado pelos celtas. Exemplo disto é a recolha do visco, que nas Ilhas Britânicas é conhecido por mistletoe. Esta planta parasítica, que finca os seus rizóides nos troncos destas árvores, era cura para a infertilidade e antídoto para todos os venenos. A sua apanha era feita por um arquidruida, de túnica branca, munido de uma foice de ouro, ao sexto dia da Lua nova, conforme exigia a sacralidade de ambas as plantas em causa. Ainda hoje esta relação do visco com os rituais de fertilidade encontra uma reminiscência no beijo que por tradição os casais devem dar sob o mistletoe na noite de Natal para que o seu amor seja eterno.

O porte majestoso e a folhagem decídua ou marcescente do carvalho remete-nos para o eterno devir entre a Vida e a Morte. Os jardins plantados sob a égide do Romantismo davam preferência a estas árvores altas, sombrias, centenárias, de ramos retorcidos, sugestivamente fantasmagóricos, capazes de criar verdadeiros cenários de contos de fadas passados nas hipnóticas trevas dos bosques medievais. Diversos artistas, desde escritores a escultores, inspiraram-se no carvalho extraindo dele toda uma dialéctica baseada na fantasia e no sentimento de ancestralidade. Exemplo disto são algumas das obras do pintor Caspar David Friedrich, das quais a mais emblemática seja provavelmente o Monastery Graveyard in the Snow, pintado entre 1817 e 1819, em plena época romântica, em que a imagem das ruínas adquiriu um papel estético e esotérico sem precedentes.