quinta-feira, 4 de março de 2010

O Mel na História - Civilizações Clássicas


Embora a História não narre a descoberta do mel pelo Homem, sabe-se que desde há milhares de anos este produto integra a alimentação do ser humano, tendo sido por ele explorado de diversas maneiras e com recurso a variadas tecnologias ao longo dos tempos.
Usado na Antiguidade como substituto do açúcar, o mel é muito mais do que um simples adoçante, dadas as suas propriedades excepcionais tanto a nível alimentício – a energia de um quilo de mel equivale aproximadamente à de cinquenta ovos – como cosmético e medicinal. A testemunhar a sua grande importância, existem inúmeras narrativas que se referem ao mel como o “ sustento celeste”, alimento oferecido às divindades superiores como uma espécie de ambrósia ou néctar dos deuses. Na época clássica, vertiam-no nas sepulturas e adoçavam com ele a boca dos defuntos para agradar a Cérbero, o monstro das três cabeças, guardião do submundo. Do mesmo modo, o mel encontra-se presente na fundação das cidades romanas.
 De acordo com a lenda da fundação de Roma por Rómulo e Remo, as cidades deveriam ser construídas a partir de um “pomoerium”, zona sagrada na qual não era permitida a entrada de armas. Este era definido com base numa cova sobre a qual assentava uma rocha esférica, o “mundus”, que passava a ser o centro geodésico da cidade. Seguidamente, uma junta de bois brancos, ligada a esta rocha por uma corda, traçava uma circunferência, o limite do “pomoerium”. Na cova subjacente ao “mundus” despejavam-se leite, azeite e mel para assegurar à nova cidade um futuro próspero.
Os Gregos misturavam mel no vinho para o adoçar. Os atletas ingeriam-no antes de entrarem em competição. Hipócrates prescrevia o mel como meio de preservar a vida. Anacreonte e Demócrito atribuíam-lhe a sua longevidade. Júlio César terá perguntado a Polion Rumilius, de cem anos de idade, qual o segredo para manter o vigor do corpo e do espírito, pelo que este ter-lhe-á respondido com a célebre frase “ Interius mele, exterius oleo” − “ Mel para uso interno, azeite para uso externo”.
A cera era igualmente muito apreciada na Antiguidade. Com ela cobriam-se as tabuinhas de escrita, fabricavam-se depilatórios e cremes corporais, para além de ser usada na iluminação. As colmeias eram, em geral, de cortiça e vime, dispondo de recipientes de barro cozido ou de madeiras lenhosas entalhadas. Não usavam técnicas de apicídio (morte das abelhas), mas sim de enxameação artificial e já realizavam a colecta mediante o favo móvel, tal como na actualidade. 

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