terça-feira, 2 de março de 2010

O Mel na História - Médio Oriente Antigo

A mitologia egípcia ensina que o mel era empregue nos sacrifícios mais importantes e consumido ritualmente. O famoso papiro de Mênfis, sobre medicina, menciona as virtudes terapêuticas do mel. Era igualmente usado no fabrico de perfumes, de cremes hidratantes e de depilatórios. Cenas representativas da prática da apicultura foram encontradas no templo do Sol, em Abusir; nos túmulos do faraó Rekhmiré (XVIII dinastia) e de Pabasa, este no Vale das Rainhas (imagens à esquerda); e em Luxor (imagem à direita). Para a produção de mel eram usadas colmeias cilíndricas de adobe (barro seco ao sol), cobertas de terra ou por juncos entrelaçados, do género das que ainda hoje existem no Egipto. Os antigos egípcios já praticavam a transumância, transportando as colmeias em grandes barcas que iam subindo e descendo o Nilo, a fim de aproveitarem a floração dos campos marginais. Um mito atribui a Ré a criação das abelhas: “O deus Ré chorou e as sua lágrimas caíram no chão, transformando-se em abelhas; elas dedicaram-se então às flores de todas as espécies. Assim nasceram a cera e o mel a partir das lágrimas de Ré”.


Em 1938, um vaso contento restos de mel em favo, proveniente de um túmulo em Tebas (1350 a.C.), permitiu uma análise detalhada dos pólenes, proporcionando um panorama bastante claro sobre os recursos florísticos do Antigo Egipto.

A Bíblia refere-se ao mel trinta e oito vezes. Na “Terra Prometida” dos Hebreus havia leite e mel em abundância. Job enviou mel de presente ao governador egípcio. O Talmude valoriza muito este produto, prescrevendo-o contra a gota, doenças cardíacas, tosse e cicatrização de feridas, usos comprovados hoje em dia pela ciência.

O mel, por ser altamente desinfectante, era também aplicado na conservação de alimentos, como no caso dos frutos, e no embalsamamento dos mortos. Herodes I terá conservado a sua amada em mel durante sete anos.

O mel fazia parte das exportações hebraicas para todo o Mediterrâneo. Tiro, uma das mais importantes cidades portuárias fenícias, era uma das principais importadoras.
O povo árabe associa o mel à sumptuosidade e à magnificência. À semelhança dos povos germânicos que vieram para a Península Ibérica na Alta Idade Média, o mel era por eles considerado como oferta divina ao Homem, vislumbre do paraíso, motivo pelo qual, quer uns quer outros, chamaram à Ibéria uma “terra de leite e mel”.

2 comentários:

  1. Ao ler este texto sobre o mel, lembrei-me de há alguns anos um pretenso médico ter afirmado numa entrevista na TV que o mel era puro açúcar e que não tinha quaisquer qualidades terapêuticas. Lembro da celeuma que levantou em toda a comunidade apícula da altura, e não só, os portugueses também disseram de sua justiça. O que é certo é que nunca mais ninguém viu esse "senhor doutor", e se houvesse Internet naquela altura, tinha sido "rachado" de alto abaixo. Mas haviam os jornais e as "cartas ao director". O mel é do melhor que há, para tudo, é feito na Natureza e pela Natureza, só temos que agradecer e tratar bem as afadigadas abelhas :)
    Beijinhos!

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  2. Apesar das provas científicas, muita gente continua a julgar o mel apenas pelo sabor: se é doce, engorda e faz diabetes. É difícil mudar esta perspectiva errada. A aparência das coisas continua a sobrepor-se à sua essência. Escreverei um post sobre esse assunto. Beijinhos

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