quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Candeias de Fevereiro...

Encontrei-as à sombra da amendoeira em flor.
Diz a tradição judaica, que as raízes das amendoeiras ocultam portais que nos conduzem à eternidade. As desta, conduziram-me a um inesperado reino em miniatura.



Frágeis e sombrias, as minúsculas candeias vêm com frio e permanecem até à despedida das últimas geadas em Abril. Escondidas por entre a vegetação dormente, nem sempre é fácil darmos com estas parentes próximas do árum.

Taxonomia:
Nome latino: Arisarum vulgare Targ.-Tooz.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Liliopsidas
Ordem: Arales
Família: Aráceas
Nomes comuns: Arisárum, candeias, capuzes-de-frade.

Identificação: Este geófito não ultrapassa os 15cm de altura e parte directamente do solo. Apresenta folhas cordadas, ligeiramente sagitadas, palminérveas, inteiras, verde-claras por vezes manchadas de branco. A inflorescência é tubular, uma espata, entre o vinoso e o negro, podendo algumas vezes apresentar-se esverdeada. Desta espata sai um conjunto de estames unidos num protuberante espádice. O fruto é uma baga verde-escura.

Distribuição: Europa mediterrânica. Descobrimo-lo sempre em lugares húmidos, ruínas, bosques sombrios ou perto de cursos de água.

Floração: Outubro/Abril.

Princípios activos: Cristais de oxalato de cálcio e um alcalóide denominado B-Gugaine, que podem ser neutralizados por acção da cozedura. Contém uma grande percentagem de fécula.

Usos: Embora seja tóxica, o rizoma desta planta é comestível após a cozedura.

Partes usadas: Rizomas.

Curiosidades: O nome arisarum vem do Grego Clássico e foi pela primeira vez usado por Dioscórides (século I d.C.). O seu significado é obscuro, mas parece resultar da aglutinação da palavra aris, uma planta medicinal egípcia, semelhante ao jarro-de-itália (pé-de-bezerro), parente próxima do arisarum, e arum, "jarro", ambas segundo Plínio, O Velho.
São popularmente chamadas de “candeias” devido à forma da influrescência que faz lembrar uma lucerna romana ou até mesmo uma lâmpada árabe com o espádice a evocar um pavio sobressaliente. Por seu lado, o nome “capuz-de-frade” é mais tardio e remete-nos igualmente para a forma tubular da espata e da cor vinosa desta, que lembra um capuz curvado sobre a cabeça de um frade.

2 comentários:

  1. Para juntar aos nomes pelos quais essa inlurescência é conhecida, digo-te mais um: Cortiço da Zumbe-Zumbe! Foi o nome que dei à "flor" porque quando era pequenina havia um desenho animado que se chamava "o Cortiço da Zumbe-Zumbe" que era uma pequena abelha, isto muito antes da célebre Maya! A casinha da abelha era muito parecida com esta "flor" e como eu era bastante fã foi o nome que lhe dei, até hoje! Aprendi agora os seus nomes reais, mas se não t'importares para mim será sempre uma "zumbe-zumbe"!
    Adorei a história e todo o artigo!
    Beijinhos!

    Nanda Costa

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  2. Pois, pobre abelha renegada que vivia sozinha numa candeia apagada... Estou a tentar imaginar...Continuo a tentar...

    Beijinhos! :)

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