quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Fátua Luminância - A Borragem

«Eu, borragem, trago sempre a felicidade»
 Plínio, o Velho

Nem a melancolia escapa ao seu feitiço.
Aqui está ela, a minha flor de eleição. Prende o nosso olhar ao seu semblante feérico ao transmutar a luz numa áurea de matizes violáceos, um efeito sublime causado pela densa penugem que a reveste.


Os guerreiros celtas chamaram-lhe borrach, ”coragem”, e buscaram força e determinação nos seus pequenos pentagramas da cor do firmamento.

Taxonomia
Nome latino: Borago officinalis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Borragináceas
Nomes comuns: Borragem, borrage, chupa-mel.

Identificação: Herbácea anual que pode atingir meio metro de altura. Sobressai facilmente devido à tonalidade das suas flores pubescentes de cinco pétalas que pode ir do azul-céu ao lilás-escuro. Caule cilíndrico e folhas verde-escuras, inteiras e rugosas. Toda a planta é pubescente não-urticante.

Distribuição: De origem mediterrânica, a borragem encontra-se disseminada por toda a Europa. Achamo-la nos matagais, ruderais, à beira dos caminhos, prados e ruínas. Prefere solos ricos em azoto.

Floração: Fevereiro/Julho.

Princípios activos: Mucilagem, ácido málico e ácido silícico, flavonóides, anthosyanis, alantoína, alcalóides tóxicos. As sementes possuem glicéridos de ácidos gordos insaturados, caratenóides e fitosteróis. Vitamina C e nitrato de potássio.

Usos: O uso interno não deve ser prolongado por mais de três dias. A borragem tem acção sudorífera e diurética. Combate doenças virais, tais como a varicela e o sarampo. Durante muitos séculos foi usada no combate à varíola e à escarlatina. Usadas externamente, as suas as flores acalmam e hidratam a pele, tratam eczema, prurido e acne. O óleo das sementes é um anti-rugas eficaz e aplicado em casos de neurodermatites. Muito melífera.

Partes usadas: Folhas, flores e sementes.

Curiosidades:cool tankard é uma bebida feita à base de vinho tinto, água, sumo de limão, mel e borragem.
Os guerreiros celtas acreditavam que esta planta, quando consumida antes das batalhas, lhes daria coragem, daí chamarem-lhe borrach, que significa “orgulhoso”, “confiante” e “corajoso” em irlandês antigo. De facto, a ciência acabou por corroborar esta crença, demonstrando que a borragem possui um efeito estimulante sobre as glândulas supra-renais, levando-as a produzir uma maior percentagem de adrenalina, algo que ajuda a combater igualmente a depressão. Por este motivo, na Idade Média, a borragem era usada contra o “quebranto”, estado de desânimo e de enfraquecimento, muitas vezes atribuído a actos de feitiçaria.

«A borragem acalma os espíritos agitados e os animais infectados pela bílis negra (…)» Nicolau Alexandre (1716).

Durante séculos, as folhas da borragem foram utilizadas em sopas e saladas. Porém, hoje sabe-se que o seu consumo excessivo é tóxico, devido à presença de alcalóides, tais como a supinina e a licopsamina, que podem tornar-se cancerígenos.
As flores da borragem são ainda hoje muito utilizadas na aromatização de vinhos depurativos do sangue e como corante alimentar azul, muito apreciado na coloração de vinagres.
Charles Dickens inventou um ponche à base de xerez, cidra, conhaque, limão, açúcar e borragem.


«Cinco folhas de borragem afastam do sangue toda a impureza» Tabernaemontanus (Século XVI)

Sem comentários:

Enviar um comentário