sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Taça de Precioso Engano - O Árum

Promete abundância, oferece veneno. Os insectos incautos sucumbem ao ardil dourado do seu nutritivo néctar que os sacia até à morte.



Taxonomia
Nome latino: Arum sp.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Liliopsidas
Ordem: Arales
Família: Aráceas

Nomes comuns: Árum, jarro, jarro-silvestre.


Identificação: Esta liliopsida, ao contrário da maioria das plantas da sua classe, apresenta folhas grandes, largas e sagitadas, por vezes manchadas de branco ou de verde mais escuro, inteiras e com uma nervura central muito marcada. A sua espata (inflorescência), branca ou amarelada, abra-se à semelhança de um cálice de onde sobressai um espádice (androceu unido) carregado de pólen que atrai os inadvertidos insectos que a fecundarão. Quando madura, a espata murcha e desaparece, revelando bagas vermelhas muito tóxicas, o resultado da fecundação das flores femininas que até então haviam permanecido ocultas sob ela.

Distribuição: Europa e Ásia. Encontra-se em terrenos húmidos, ruínas, ruderais e bosques.
 
Floração: Março/Maio, podendo já se encontrar em floração em Fevereiro.

Princípios activos: O rizoma é muito nutritivo, uma vez que contém grande percentagem de fécula. Os alcalóides tóxicos podem ser neutralizados pela fervura.

Bagas em fase de maturação.
Usos: Ornamental. O rizoma é comestível após várias fervuras.

Partes usadas: Flores (ornamental) e rizomas (parte comestível).

Curiosidades: O árum não é uma planta carnívora, embora aprisione os insectos no interior da sua enorme espata, através do fechamento dos filamentos da entrada. Deste modo, podemos dizer que os insectos dão involuntariamente a vida para fecundarem esta enigmática planta.
A sua forma tubular aberta remete-nos para a do cálice ou jarro, o que faz com que o árum esteja ligado à simbologia da abundância. Com efeito, a fécula dos seus rizomas já foi muito procurada em épocas de escassez, como a que os franceses viveram no decurso da Revolução Francesa, em particular durante o período do Terror.

4 comentários:

  1. No quintal da casa da Avó Ilda, havia muitos jarros e eu gostava muito de apanhar o pólen e ficar a apreciar o macio e o aroma nas minhas mãos. Parecia talco perfumado. Mal sabia eu que o pólen era venenoso, mas também não sou insecto. O que é curioso é que não me recordo de alguma vez ter visto as bagas verdes ou vermelhas, o que foi uma grande revelação.
    Beijocas!

    Nanda Costa

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  2. Encontrei estas bagas de árum no meu "bosque encantado". Ainda estavam verdes quando as fotografei, mas depois terão ficado maduras e muito vermelhas, pena que nessa altura não pude fotografá-las.
    Talvez já as tivesses visto no quintal da avó, mas deves ter pensado que se tratava de outra planta qualquer.

    Beijinhos

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  3. Confesso que não percebi qual é a parte do jarro que é comestível. É aquela haste amarela, interior??
    E como é que é venenosa para os insectos, mas não é para os humanos??
    (não que tenha intenções de começar a trincar jarros, como se não houvesse amanhã) hihihihi

    enxofre

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  4. À haste amarela (espádice) nem as Diabbas resistem! Não a comas! :)
    A parte comestível é a raiz (rizoma). Os agentes tóxicos para os insectos encontram-se no espádice e não no rizoma. Os alcaloides presentes no rizoma são neutralizados pela cozedura. Também algumas leguminosas nossas conhecidas, como a ervilha e o feijão, contêm agentes nocivos, nomeadamente saponinas, que são neutralizados por acção do calor, ou seja, são "termolábeis".
    Espero ter conseguido esclarecer...

    Besos :)

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