sábado, 12 de março de 2011

A Árvore do Amor - A Olaia

A Natureza semeou-a num ruderal...
O seu corpo era pequeno e escuro, os seus braços alcançavam o infinito. Cachos perfumados, de um rosa-violáceo intenso, cobriam a negrura daqueles ramos finos que se entortavam em direcção ao céu, num contraste exuberante que clamava a nossa atenção em Abril... Pois, em Abril... Então que motivo me levará a publicar a sua taxonomia em Março? Talvez se ontem já estivesse florida, aquele que comandava a retroscavadora lhe tivesse tido mais amor e houvesse recuado diante dela...


Taxonomia

Nome latino: Cercis siliquastrum L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Fabales
Família: Fabáceas (leguminosas)
Nomes comuns: Olaia, árvore-do-amor, árvore-de-judas, pata-de-vaca.

Identificação: Árvore de folha caduca e de médio porte (o tronco não costuma ultrapassar os 2 metros, embora a sua copa possa atingir mais de 7 metros de altura). Ramos finos e escuros; folhas cordadas (em forma de coração) e verde-avermelhadas. Ressalta à vista pela beleza das suas flores, rosa-violáceas, que crescem em cachos (inflorescências) e que nascem antes das folhas. O seu fruto é uma vagem espalmada (siliqua) com aproximadamente 6 cm de comprimento.

Distribuição: Nativa das regiões mediterrânicas e do Médio Oriente. Muito frequente em jardins. Também podemos encontrá-la em ruderais e nas orlas dos campos onde cresce espontaneamente.

Floração: Abril.

Princípios activos: Rica em vitaminas e sais minerais.

Partes usadas: Flores.

Usos: Ornamental. As flores cruas são usadas como condimento, um substituto das alcaparras. O seu sabor é algo picante como o das chagas.

Curiosidade: Embora a versão mais comummente aceite sobre a morte de Judas se refira a uma figueira, uma outra história, menos conhecida, conta que foi numa olaia que o apóstolo se enforcou, acto que tornou róseas as suas flores inicialmente brancas, motivo pelo qual esta fabácea é também chamada de “árvore-de-judas”.


Este post é uma pequena homenagem a uma árvore que teve a infelicidade de nascer entre os humanos.

2 comentários:

  1. Uma planta tão bonita e vítima de uma retroescavadora. Que pena ter sido destruida, uma lástima. Dou o benefício da dúvida ao manobrador da máquina, não se deve esquecer que decerto estaria a cumprir ordens, geralmente vêm de um/a iluminado/a das câmaras municipais. É tão bonita a olaia!

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  2. Estava à espera que ela florisse para poder tirar fotografias melhores. Estas foram tiradas no ano passado. Agora, no lugar dela e da comunidade em que vivia, afunda-se um enorme buraco. Será plantado nele mais um prédio; mais um que ficará vazio durante anos.
    Talvez o manobrador da máquina não pudesse ter evitado matá-la. Primeiro estão as leis dos homens, só depois vêm as da Natureza... E depois o Homem queixa-se e diz-se vítima do infortúnio...

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