quinta-feira, 6 de setembro de 2012

O Antes e o Depois...

Eis, por fim, os resultados da monda química.
Lembram-se ainda das frescas ruínas (Cymbalaria sp.)?
Dantes eram assim, pequenos nichos românticos que enfeitavam a aridez das calçadas:


Depois da passagem da EMAC, delas resultou isto:


A monda química, feita com o dinheiro do erário público - há que dizê-lo uma vez mais -, soube transformar a beleza no lixo que agora enfeia os passeios.
Dá que pensar, não dá?

2 comentários:

  1. Sem dúvida que é bastante triste o antes e o depois. Penso que de ve em quando seja necessário limpar os passeios mas era desnecessário ser quimicamente. Se li recentemente sobre o ressurgimento de antigas profissões, porque não voltarem os cantoneiros? Davam trabalho a quem tanto precisa e a monda era feita com mais cuidado, pelo menos tenho a certeza que não transformavam flores em lixo e deixavam os restos. Ao menos tenho o consolo de saber que elas vão ressurgir, alguém duvida da força da Natureza? Bjs.

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  2. De facto, se dessem trabalho aos cantoneiros, resolviam-se vários problemas de uma só vez, sociais e ambientais. Os herbicidas não transformam apenas as plantas em simples lixo, transformam-nas em lixo tóxico, contaminam os solos e a atmosfera. E o mais bizarro é terem queimado a bela cymbalaria e não terem sequer tocado nas infestantes conizas que existem na calçada oposta. Cada vez há mais conizas e menos cymbalaria. A cymbalaria muralis é um endemismo mediterrânico com propriedades anti-escorbúticas e vulnerárias, para além da sua beleza. A calçada onde estava este exemplar, passa por um ruderal. Dá para perceber que quem andou a fazer a monda química deve ter achado piada ao repuxo e atirou com ele à toa para cima das plantas que se encontravam na sua margem. Desapareceu a centáurea-áspera e diversas outras plantas - todas elas endémicas - ficaram queimadas pela metade.
    A minha fé no ser humano diminui de dia para dia.

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