sábado, 29 de agosto de 2015

Aderno-Bastardo (Rhamnus alaternus) - O Azevinho Estival


Espécie: Rhamnus alaternus L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Rhamnales
Família: Rhamnaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Aderno-bastardo,
sanguinho-das-sebes, espinheiro-cerval.
English name: Italian buckthorn.

Quando o veraneio tinge de secura os matos e os bosques, ele lá permanece, verdejante e aceso pelas suas inúmeras bagas vermelhas, qual azevinho estival, um pronúncio de Outono ao sabor do Zéfiro de Agosto.  
O aderno-bastardo é um microfanerófito de origem mediterrânica, que pode atingir um porte arbóreo com cerca de cinco metros de altura. De ritidoma grisalho e tronco muito ramificado, esta ramnácea exibe folhas alternas e pecioladas, coriáceas, pequenas e ovadas, de margem finamente serrada e algo transparente quando vista à contra-luz, o que ajuda a distingui-la de outras espécies que se lhe assemelham. As flores, de uma tonalidade indefinida entre o verde e o amarelo, surgem em rácimos axiais durante toda a Primavera, dando depois lugar aos frutos, pequenas bagas tóxicas, esféricas e carnudas, que se tornam completamente vermelhas quando maduras. 
A nível medicinal, a parte mais utilizada é o ritidoma, usado em decocção como laxante/purgante, hipotensivo e no tratamento de problemas respiratórios, também empregue em caso de litíases renais e como tónico circulatório. Já as folhas, pelo contrário, são fortemente adstringentes pela grande percentagem de tanino que contêm. São empregues contra o colesterol e em gargarejos para curar inflamações da garganta e da boca. Externamente, a decocção das folhas é usada em feridas pelo seu poder vulnerário.
Embora os frutos sejam tóxicos para os humanos, é frequente encontrar pássaros frugívoros a desfrutarem desta iguaria estival. As bagas contêm elevados níveis de antraquinonas, flavonóides e pectina. Embora sejam preteridos a favor do ritidoma, podem ser secos e usados em xaropes como purgantes, ou em óleos de massagem contra as dores de cabeça. O seu doseamento para uso interno requer grande cuidado, uma vez que o seu poder laxante é forte pode causar hemorragias intestinais. 
Não só os bosques o aderno-bastardo ilumina com as suas bagas cor-de-fogo. Este arbusto surge como iluminador da alma e da consciência na Epopeia de Gilgamesh, anterior à Bíblia, na qual é narrada a cosmogonia persa, muito semelhante à bíblica, uma vez que a inspirou. Os sacerdotes persas comiam das suas bagas para limparem e purificarem o corpo antes de um ritual.
Na Europa mediterrânica e ocidental, era igualmente tido como sagrado pelos sacerdotes celtas, que usavam os seus ramos em defumações de apelo aos espíritos. Na Irlanda, onde se lhe dava o nome de «espinheiro-de-são-patrício», vários eram os perigos que a sua destruição poderia evocar, desde a perda dos bens à da própria vida.
Na Península Ibérica esta ramnácea detinha um carácter apotropaico, motivo pelo qual a sua madeira era usada no fabrico de utensílios para bater a manteiga, produto sensível que, à semelhança do queijo, desde sempre se acreditou que facilmente seria alvo das artes enganadoras de fadas, bruxas e duendes. Da mesma forma eram usadas as bagas para repelir as energias malfazejas através dos mais variados rituais de purificação.  

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