sábado, 30 de janeiro de 2016

Pontos Marma e sua Relação Científica

Na próxima sexta-feira, dia 5 de Fevereiro, pelas 18.30, decorrerá na Alba, em Lisboa, uma palestra gratuita que incidirá sobre a importância dos Pontos Marma na Medicina Ayurvédica.

Os Pontos Marma são um dos principais focos de atenção da massagem ayurvédica pelo seu importante papel psicossomático, isto por estarem ligados a determinados órgãos, aos srotas (canais) e aos chakras. São locais de concentração de prana, ou de energia vital, estabelecem uma ponte entre o Pranamayakosha (corpo etéreo) e o Anamayakosha (corpo físico ou denso) e distribuem-se ao longo dos nadis para levar a energia a todas as regiões do corpo de acordo com os vayus (ventos) que dirigem. Estes pontos formam redes energéticas entre si e situam-se em locais de confluência de tecidos; ao manipularmos os marma, estamos a trabalhar os nadis e os chakras. O Sushruta Samhita classifica-os de acordo com o tipo de dhatus (tecidos) com os quais se relacionam directamente. Assim, existem marmas mamsa (nos músculos), sira (vasos sanguíneos), snayu (nos ligamentos), ashti (nos ossos) e sandhi (nas articulações). Cada marma é igualmente descrito dentro de uma tipologia relacionada com os elementos que nele se manifestam e que quando perturbados conduzem a diferentes graus de lesão. Os marmas tipo Rujakara são dotados de fogo e ar e causam dor intensa; os Vaikalyakara são regidos pela água e pela Lua e causam deficiência quando lesionados; os Visalya Pranahara são regidos pelo ar e podem ser fatais se perfurados, visto originarem uma progressiva perda de prana; os Kalantara Pranahara são dotados de água e fogo, e quando feridos induzem coma e morte ao fim de um certo tempo; os Sadya Pranahara são os mais sensíveis, são os marmas-fogo e reúnem os cincos tecidos acima descritos. Uma lesão num marma deste tipo leva imediatamente à morte.    

Existem três grandes marmas, ou mahamarmas, relacionados com os doshas e com os chakras. São eles o Sthapani, localizado entre as sobrancelhas (Vata - chakra Ajna ), o Hridaya, no esterno (Pitta - chakra Anahata) e Bastih, abaixo do umbigo (Kapha - chakra Svadhisthana). Embora a massagem ayurvédica beneficie os três biotipos de forma equitativa, de modo a promover o equilíbrio dóshico, actua mais visivelmente consoante as tendências patológicas de cada dosha:

Vata: A massagem equilibra a actividade intestinal e o sistema nervoso, favorece a circulação sanguínea, diminui a ansiedade, alivia a dor, o stress e a rigidez muscular, aumenta a auto-estima e reduz problemas de sono.

Pitta: Promove o arrefecimento corporal, desintoxica o sangue e o fígado, reduz a acidez e apazigua as emoções negativas.

Kapha: Melhora a circulação sanguínea e sobretudo a linfática, alivia problemas respiratórios, liberta os tecidos adiposos, acelera o metabolismo, promove o emagrecimento e reduz edemas.

Um marma disfuncional ou doente, por norma apresenta certa rigidez ao toque e causa bloqueios energéticos, consequentemente doenças. O seu desbloqueio proporciona o alívio de dores e confere ao paciente maior sintonia emocional e maior poder de acção.
Diversas são as terapias que podem ser aplicadas no desbloqueio destes pontos vitais. De entre elas destacam-se a Acupressão, a Acupunctura, a Moxabustão, a Cromoterapia, o uso de vibração com diapasão ou taças tibetanas, a aplicação de pedras quentes e frias, ventosas, Reiki e a Aromaterapia, quer mediante o uso das ervas, quer sob a forma de óleos essenciais, sendo que estes devem ser escolhidos tendo em conta não apenas o marma e a patologia, mas também o dosha agravado.

Os óleos essenciais e vegetais, onde se enquadram as tailas ayurvédicas e os cataplasmas, podem ser aplicados sobre os pontos marmas com ou sem o auxílio de acupressão, de forma a estimulá-los. A acupressão durante a massagem amplifica os efeitos dos óleos e vice-versa, isto porque estimula o sistema nervoso periférico e a libertação de endorfinas e adenosina, neurotransmissores com propriedades analgésicas e anti-inflamatórias.


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