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sexta-feira, 12 de março de 2010

Apicultura em Portugal

Embora os produtos apícolas sejam cada vez mais procurados pela sociedade dos nossos dias, pouco se tem feito em Portugal para minimizar os efeitos nocivos inerentes à industrialização e ao aumento do volume de produção no sector. Vive-se, hoje, um clima de renascimento da Apicultura, relacionado com a busca de modos de vida alternativos, mais saudáveis e voltados para a Natureza por tanto tempo esquecida. Todavia este “despertar social” adquire, por vezes, contornos massivos, com os quais nem sempre é possível lidar sem que a qualidade dos produtos decaia.

Ainda que o mel produzido no nosso apiário não seja um caso excepcional, há que dizer que nem todos os apicultores procedem de forma honesta relativamente à sua comercialização enquanto substância não-manipulada. Infelizmente, muitos são os casos de falsificação do mel, recorrendo à adição de amido, fécula, farinha ou até mesmo de gesso! - O decreto-lei nº 35876 de 18-8-1946 proibia a adição de quaisquer substâncias conservantes ao mel. Por outro lado, quase não há investimento em informação e sensibilização dos consumidores relativamente às características e virtudes deste alimento natural. O mel puro cristaliza quando submetido a temperaturas mais baixas, pelo que solidifica durante o Inverno. Muitas pessoas, ao verem-no cristalizado já não o compram, julgando-o fora de validade. Perante esta situação, alguns apicultores optam por queimar o mel para que este se mantenha sempre líquido. Este procedimento provoca a evaporação dos óleos essenciais, atribuindo ao mel um estranho gosto a melaço, para além de perder todas as suas propriedades vitamínicas e de ficar convertido em açúcares simples não tolerados por diabéticos. O mel, conforme é colhido, apresenta açúcares digeridos pela acção da saliva das abelhas que contém insulina, ou seja, transformados em dextrose e levulose (frutose). A dextrose é quimicamente um carboidrato simples, metabolizado automaticamente pelas nossas células para produção de energia. Daí que o mel, embora sendo um alimento muito energético, não engorda, o que o torna no substituto preferencial do açúcar nas dietas de emagrecimento.

Existem em Portugal diversas qualidades de mel que variam de acordo com a área de captação de recursos abrangida pelos apiários. No Norte, os méis são maioritariamente escuros, tixotrópicos e de paladar forte, devido à abundância de urze. Na Beira Interior, a presença do rosmaninho torna o mel claro, por vezes quase branco, dotado de um aroma suave e frutado. Na Região Centro produzem-se méis de eucalipto e multiflora, de tons avermelhados. A Sul predomina o mel de laranjeira, muito claro e aromático.

Alguma legislação tem vindo a ser aprovada no sentido de tornar a apicultura portuguesa mais competitiva – a primeira lei portuguesa referente à actividade apícola foi o decreto nº 20417 de 21-10-1931 e destinava-se a promover a produção de mel nacional –, mas muito do que se passa no panorama apícola português é ainda desviado do controlo governamental por razões económicas ligadas ao desenvolvimento tecnológico, como no caso concreto do uso de pesticidas químicos nos pomares, o que põe em risco a vida das abelhas e a qualidade do mel.

Imagens: Produtos do nosso apiário (mel de Eucalipto e multiflora).