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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Lágrimas-de-donzela - A Silene

O seu nome tem sido alvo de especulação. Há quem acredite na possibilidade de este ter tido origem em Silenus, tutor de Baco. Por outro lado, observando de perto esta frágil planta, não posso deixar de fazer uma outra associação: com a Lua. As suas flores claras de cálice insuflado possuem algo de "lunívoco". Na minha opinião, o nome “Silene” deriva de Selene, antiga deusa lunar à qual a imagem de Diana se sobrepôs. Mas nem só na aparência fundamento esta ideia. Existem pelo menos duas variedades de silene que florescem à noite, a Silene alba e a Silene nocturna. Não é de estranhar que as traças sejam o principal insecto a contribuir para a sua polinização. Existe ainda uma outra espécie bem portuguesa, a Silene cintrana, típica da Serra de Sintra, ou, por que não dizer, da Serra de Cinthia, deusa lunar céltica.


Taxonomia

Nome latino: Silene vulgaris
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Caryophyllales
Família: Caryophylaceae
Nomes comuns: Lágrimas-de-donzela, silena-aurora, dama-do-jardim, sinos, badalos.

Identificação: Planta herbácea perene, cresce até cerca de 60 cm de altura. Apresenta um talo ramificado, folhas glabras e lanceoladas. Flores hermafroditas, cálice esverdeado e insuflado, maior que a corola formada por seis pétalas brancas fendidas.
Distribuição: Europa, Médio Oriente e Norte de África. Em Portugal encontramo-la em Trás-os-Montes e a sul do Tejo em ervados, lugares frescos e ruínas.
Princípios activos: Sais minerais, vitaminas, saponinas.
Partes usadas: Folhas e frutos.
Usos: Digestivo, depurativo do sangue, alivia o reflexo emético. Em cremes e loções, as folhas são igualmente usadas para nutrir e suavizar peles secas e irritadas. Também muito utilizada em casos de conjuntivite e em fumigações.
Curiosidades: Os seus frutos, cozidos, são muito apreciados em sopas ou como acompanhamento. Em Espanha, os frutos fritos em azeite são adicionados a tortilhas. As saponinas são neutralizadas pela cozedura, tal como acontece com o feijão.


segunda-feira, 19 de abril de 2010

"Campos de Cinzas" - O Asfódelo

Flor da Morte, flor dos mortos; Hades ofereceu-a a Perséfone e a ela a consagrou. Homero fala-nos do asfódelo na Odisseia, associando-o à ressurreição. Por esse motivo, os Campos Elísios, morada infernal dos bem-aventurados, achavam-se atapetados pelas suas flores alvas levemente rosadas. Na Antiguidade Clássica, o asfódelo acompanhava os mortos na longa viagem para o submundo, ele era por excelência o alimento da eternidade. Encontramo-lo, ainda hoje, em lugares abandonados, cemitérios, eidos de esquecimento e de solidão.
Há muito que não o via. Descobri esta pequena colónia num ermal que gosto de visitar.


Taxonomia
Nome latino: Asphodelus fistulosus
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Liliopsidas
Ordem: Liliales
Família: Liliáceas
Nomes comuns: Asfódelo, abrótea da Primavera, abrótega, tremoção.
Identificação: Esta planta monocotiledónea glabra, que cresce até cerca de 1 metro de altura, está a tornar-se cada vez mais rara. É facilmente identificável no início da Primavera, entre meados de Fevereiro e finais de Março, quando floresce. As suas corolas, de um branco ligeiramente ensombrado de rosa, formam estrelas de seis pontas com uma nervura central acastanhada que se prolonga pelas seis pétalas. O seu fruto é uma cápsula oval tripartida que contém um grande número de sementes pretas. Algumas das espécies de asphodelus geram tubérculos que, segundo Plínio, o Velho, eram assados sobre cinzas, embora a asfodelina seja algo tóxica. O seu odor, ora suave ora intenso, lembra o aroma do jasmim.
Distribuição: Existem cerca de 16 espécies na Europa e no Médio Oriente. Cresce em terrenos baldios, ruínas, cemitérios.
Princípios activos: Contém asfodelina (tóxica).
Partes usadas: Flores e frutos.
Usos: Durante a Segunda Guerra Mundial foi usado na panificação. As flores frescas são utilizadas no fabrico de queijo. Também usada em perfumaria.
Curiosidades: Na Córsega, no Dia de Todos os Santos, as flores de asfódelo são deixadas a arder sobre os túmulos, em lamparinas de azeite. O seu perfume, embora lembre o do jasmim, em certas alturas adquire um cheiro desagradável, o que se deve a uma defesa da própria planta contra o gado que, de outra forma, tentaria comê-la. Talvez este odor tão peculiar, a par do facto de esta planta crescer espontaneamente em cemitérios, levou a que na Antiguidade a associassem à decomposição e à morte. O seu nome deriva do Grego asphodelos que significa “aipo”.

Um fresco perfume desprendia-se dos tufos de asfódelos (...) Victor Hugo in Booz Adormecido