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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Herbalist - as ervas (daninhas) que curam

Herbalist - As ervas das calçadas e dos ruderais ganham destaque neste blog, prova de que a cura pode por vezes achar-se sob as solas dos nossos sapatos e não apenas nas farmácias e ervanárias. 
Herbalist é um complemento ao Herbário Virtual da Vila de Parede, onde é monografada a quase totalidade das espécies identificadas na Costa do Sol. 

Ervas Medicinais
Lago dos Nenúfares, Sintra.
Conheça um pouco mais acerca das plantas que as câmaras municipais tentam a todo o custo erradicar, algumas delas endémicas e cada vez mais raras, e cujas propriedades vão além da medicina e do enquadramento histórico-etnográfico. 

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Alecrim, a luz que brota da terra...

«Gosto perdidamente dele»
 Marquesa de Sévigné

Considerado pelos antigos Romanos, Gregos, Egípcios e Árabes como uma panaceia, o alecrim ocupa o topo da lista de plantas medicinais mais utilizadas pelo Homem desde a Pré-História. Presença assídua em casamentos e funerais, o alecrim celebra a vida e a morte na espiral contínua do tempo. O seu aroma intenso e agradável fez com que fosse identificado com os poderes da Luz e usado em rituais mágicos contra os espíritos sombrios que levam a melancolia ao coração dos homens…


Taxonomia

Nome latino: Rosmarinus officinalis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Lamiáceas
Nomes comuns: Alecrim, alecrinzeiro, alecrim-da-terra. Muitas vezes chamado erroneamente de rosmaninho, uma planta da mesma família e cujas propriedades em quase tudo se assemelham às do alecrim.


Identificação: Arbusto perene, lenhoso, de folhas coriáceas, estreitas e uninérveas verde-escuras na página superior e acinzentadas na inferior. Possui flores bilabiadas, pequenas, entre o branco rosado e o lilás. Toda a planta exala um aroma intenso e canforáceo. Não atinge mais do que um metro e meio de altura.

Distribuição: Nativa das costas mediterrânicas, podemos encontrá-lo em estado selvagem praticamente em todo o lado, nas margens das florestas, nas arribas à beira-mar, nos matagais e ruderais, pois adapta-se bem a qualquer tipo de solo e resiste tanto à seca como à chuva intensa. Muito cultivado em jardins por todo o mundo.

Partes usadas: Folhas (ramos completos) e flores.

Princípios activos: Cânfora, cineol, borneol, linalol, pineno, canfeno, flavonóides, verbenona, ácidos e álcoois triterpénicos, ácido rosmarínico, taninos e resina.

Floração: Março a Outubro.

Usos: Em tisanas, cremes, tinturas, loções, destilações, em aromaterapia e como planta ornamental. Aconselhado no combate a doenças de origem viral, doenças de pele, dores menstruais e de cabeça, como anti-caspa e no combate à queda de cabelo, bem como no caso de doenças do foro neurológico. O alecrim possui propriedades adstringentes, anti-sépticas e anti-inflamatórias, entre outras. É igualmente usado contra a má circulação, na resolução de problemas das vias respiratórias e como anti-depressivo. O mel de alecrim é um excelente tónico hepático, combatendo em particular a cirrose. Para além do seu uso medicinal, o alecrim pode ser utilizado como um anti-traças eficaz e não tóxico. Quando cultivado em hortas, protege as culturas de afídios (pulgões).

Curiosidades: A Rainha Isabel da Hungria era uma acérrima apologista do uso do alecrim, não só em tisanas ou como condimento, mas também em banhos, para os quais preparava uma loção com esta planta, macerando as suas flores em álcool, receita que, segundo ela, lhe havia sido inspirada por um anjo e a qual a curou da gota e do reumatismo.
Carlos Magno ordenou aos seus súbditos o cultivo do alecrim, visto reconhecer-lhe inúmeras aplicações terapêuticas e usos culinários.
Reduzido a pó e misturado com alho e estragão, impede que a manteiga rance.
Para além de combater a caspa, o alecrim escurece o cabelo e trava a sua queda.
Uma antiga crença diz que o alecrim cresce melhor nos jardins das casas governadas por mulheres. Será verdade?

De acordo com o seguinte texto, que aqui transcrevo na íntegra, o alecrim foi durante muito tempo usado como insecticida e, em particular, contra a melancolia. Dou-lhe especial relevo, uma vez que apresenta um retrato fidedigno de alguns fins terapêuticos que no passado eram dados a esta planta, os quais podemos ainda nos dias de hoje descobrir em muitas tradições europeias.

«Tratado Segundo

Das excellencias do alecrim, e sua qualidade.

O alecrim de sua natureza he quente e seco, aromatico e odorifero e, assim, conforta e recrea todas as partes e mebros interiores e exteriores do corpo, alegra, e fortifica os sentidos, gasta as humidades, frialdades, oppilacoens e males contagiosos.
Finalmente o alecrim naõ admite melancolias, tristezas, tremores, nem desmayos de coraçaõ, cujas raizes, ramos, cascas, folhas, e flores tem quasi infinitas virtudes, das quaes diremos as que bem, e fielmente collegimos, e tiramos dos sobreditos Authores; para gloria de Deos Nosso Senhor, e proveito dos homens.
Os gomosinhos mais tenros do alecrim comidos pelas manhãs com paõ, e sal, fortificam a cabeça, e o cérebro, conservaõ a vista alentada, aguda, robusta e forte.
A flor, e folhas do alecrim feitas em po, e trazidas junto ao corpo, affugentaõ os três inimigos do mesmo corpo, que saõ pulgas, piolhos, e porçovejos.
Os sobreditos pos trazidos junto ao corpo, e da banda esquerda, impedem a melancolia, e alegraõ muito o coraçaõ.
As folhas do alecrim bem machucadas, ou mastigadas, e postas sobre a chaga fresca, a curaõ, e cerraõ maravilhosamente.
A flor do alecrim comida em jejum com mel da mesma flor, e huma fatia de paõ quente, conserva muito a saude, e naõ deixa gerar boubas, sangue podre, nem mal de gota, antes pelo contrário, se alguem tiver tal mal, lho tirará.
O alecrim affugenta todo o animal venenoso, cujo fumo serve contra toda a peste e mal contagioso.» (sic)

 

In Fysiognomia e Varios Segredos da Naturesa, de Jeronymo Cortés, traduzido por António da Sylva de Brito, Coimbra, 1728.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Lágrimas de Helena, O Acanto

Plínio tratava-o simplesmente por Acanthus, Lineu chamou-lhe Acanthus mollis. Calímaco, arquitecto ateniense (c. 500 a.C.), inspirou-se nas suas folhas amplas e recortadas para decorar os capitéis dos templos, transformando-o num emblema por excelência do estilo Coríntio. Os mitos crêem-no nascido das lágrimas de Helena de Tróia; as suas flores espinhosas evocam a superação dos problemas, a vitória face às provações da vida e a dignidade na morte. A sua imagem acompanhou o Homem desde a Grécia Antiga, espreitando-o através de iluminuras, vigiando-o através de azulejos, de pinturas, de esculturas e da talha dourada. A sua presença é uma constante onde quer que a luz e as sombras travem batalhas pela posse da alma humana.


Taxonomia


Nome latino: Acanthus mollis L.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Scrophulariales
Família: Acantáceas
Nomes comuns: Acanto, erva-carneira, erva-gigante.




Identificação: Planta vivaz, pode atingir 1,5 metro de altura, partindo de uma roseta de folhas basais, muito grandes, largas e recortadas. Cada acanto produz uma única espiga de flores brancas de cálice longo e rosado. Possui espinhos entre as flores.
Distribuição: Europa e Médio Oriente. Surge em ruderais, caminhos, margens de rios, paúis. Também cultivada como ornamental.
Floração: Maio/Junho.
Princípios activos: Mucilagem, sais minerais, tanino, glícidos e resinas.
Partes usadas: Flores e folhas.
Usos: Ornamental, anti-inflamatório, cicatrizante. Excelente como tónico facial, em lavagem de pele com eczema. Picado e aplicado directamente sobre feridas inflamadas, contusões, queimaduras ligeiras e reumatismo. Em creme ou óleo é um excelente cicatrizante em casos de hemorroidal. Também usada em casos de diarreia e inflamações respiratórias (infusão).
Curiosidade: Os carrilhões do Convento de Mafra, produzidos em Itália no século XVIII, têm folhas de acanto esculpidas no seu mecanismo.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Lágrimas-de-donzela - A Silene

O seu nome tem sido alvo de especulação. Há quem acredite na possibilidade de este ter tido origem em Silenus, tutor de Baco. Por outro lado, observando de perto esta frágil planta, não posso deixar de fazer uma outra associação: com a Lua. As suas flores claras de cálice insuflado possuem algo de "lunívoco". Na minha opinião, o nome “Silene” deriva de Selene, antiga deusa lunar à qual a imagem de Diana se sobrepôs. Mas nem só na aparência fundamento esta ideia. Existem pelo menos duas variedades de silene que florescem à noite, a Silene alba e a Silene nocturna. Não é de estranhar que as traças sejam o principal insecto a contribuir para a sua polinização. Existe ainda uma outra espécie bem portuguesa, a Silene cintrana, típica da Serra de Sintra, ou, por que não dizer, da Serra de Cinthia, deusa lunar céltica.


Taxonomia

Nome latino: Silene vulgaris
Divisão: Magnoliphytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Caryophyllales
Família: Caryophylaceae
Nomes comuns: Lágrimas-de-donzela, silena-aurora, dama-do-jardim, sinos, badalos.

Identificação: Planta herbácea perene, cresce até cerca de 60 cm de altura. Apresenta um talo ramificado, folhas glabras e lanceoladas. Flores hermafroditas, cálice esverdeado e insuflado, maior que a corola formada por seis pétalas brancas fendidas.
Distribuição: Europa, Médio Oriente e Norte de África. Em Portugal encontramo-la em Trás-os-Montes e a sul do Tejo em ervados, lugares frescos e ruínas.
Princípios activos: Sais minerais, vitaminas, saponinas.
Partes usadas: Folhas e frutos.
Usos: Digestivo, depurativo do sangue, alivia o reflexo emético. Em cremes e loções, as folhas são igualmente usadas para nutrir e suavizar peles secas e irritadas. Também muito utilizada em casos de conjuntivite e em fumigações.
Curiosidades: Os seus frutos, cozidos, são muito apreciados em sopas ou como acompanhamento. Em Espanha, os frutos fritos em azeite são adicionados a tortilhas. As saponinas são neutralizadas pela cozedura, tal como acontece com o feijão.