sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Creme Mabon

Sob a égide do elemento terra, um creme suave, leve e original, muito fácil de confeccionar, uma entrada cheia de requinte a celebrar o Outono!

Ingredientes para 4 pessoas aprox.:
3 cebolas brancas grandes
1 chuchu
1/2 aipo
3 dentes de alho
Alho-francês
Cerca de 350 gramas de cogumelos brancos ou castanhos
1 chávena de flocos de aveia
Sal marinho q.b.
Azeite

Postos em cru num tacho fundo, colocamos o chuchu, as cebolas, o alho francês (a quantidade varia consoante o nosso gosto), os dentes de alho e os caules de aproximadamente meio aipo tenro, reservando parte das folhas. Todos estes ingredientes devem ser cortados em pedaços pequenos, de modo o reduzir o tempo de cozedura, a meio da qual acrescentamos a aveia e os cogumelos, reservando destes uma pequena porção para laminar.

Trituramos assim que tudo estiver bem cozido, de preferência sem apagar o lume, um truque que permite poupar tempo, energia e obter cremes mais suaves e bem ligados.
Temperamos o nosso creme com um pouco de sal e adicionamos-lhe as folhas do aipo que deixámos de reserva, bem como os cogumelos já laminados.
Para que o azeite mantenha todas as suas características e riqueza aromática, podemos adicioná-lo apenas quando o creme estiver pronto ou mesmo depois de servido.

Desfrute dos sabores do campo e do bosque acompanhados de um excelente tinto Terra Mãe e de pão d'alho com queijo de cabra, azeite e orégãos. Um chá de frutos negros joga igualmente bem.

Bom Equinócio!

terça-feira, 8 de setembro de 2015

Óleo Essencial de Verbena (Verbena officinalis)

Geralmente confundida com a sua parente americana, a lúcia-lima (Lippia triphylla), e com a lamiácea erva-cidreira (Melissa officinalis), a verbena é uma espécie endémica no sul da Europa, conhecida desde sempre pelas suas propriedades relaxantes e anti-sépticas, e citada por autores clássicos como Plínio, Dioscórides e Agrippa. Possuidora de inúmeras propriedades terapêuticas, apresenta, contudo, uma percentagem apenas residual de óleo essencial, na ordem dos 0,3%, o que faz deste um dos mais dispendiosos em Aromaterapia. Em alternativa, sugiro a carreação das partes aéreas floridas (secas) em óleo de grainha de uva ou girassol, para uso em massagens, e a sua infusão em cataplasmas oftálmicos e uso interno. 

Família: Verbenaceae.

English Name: Vervain.

Origem: Europa e EUA.

Aroma: Cítrico, herbal. 

Partes usadas: Partes aéreas floridas.

Princípios Activos: Predomina o citral. Contém limoneno, cineol, geraniol, verbeno, epoxicariofileno e espatulenol.

Propriedades: Anti-séptico, anti-tumoral, calmante, cardiotónico, vulnerário, febrífugo, tónico-uterino, antiespasmódico, antidepressivo, aperitivo, sedativo, hepatotónico, anti-inflamatório. 

Fitoterapia Geral: O óleo essencial de verbena é digestivo, anti-tumoral e tónico hepático, usado em caso de náuseas, flatulência, dispepsia, distúrbios hepáticos graves, problemas de vesícula, tumores, enxaqueca. Aumenta a capacidade de digestão de gorduras e reduz inflamações. 

Dermatologia: Podendo ser usada a planta em si, em substituição do seu óleo essencial, é útil no tratamento de tumores, inflamações, infecções orofaríngicas, inflamações oftálmicas, acne, pele oleosa (melhor quando usada a infusão da planta, por conter verbenalina, dotada de propriedades adstringentes e anti-inflamatórias). Também empregue como tónico capilar.   

Psicologia: Antidepressiva, é usada contra a insónia, stress, desmotivação e ansiedade.

Observações: Como estimulante uterina e emenagoga, a verbena deve ser evitada na gravidez, seja em tisanas ou na aplicação de óleo essencial. Favorável a quem sofra de hipertiroidismo, não pode ser usada em casos de hipotiroidismo, visto reduzir a actividade da tiróide.  Susceptível de causar fotossensibilidade, a pele não pode ser exposta ao sol após o seu uso. Conjuga-se bem com óleos cítricos, florais e herbais.

Curiosidades: Reputada como afrodisíaco, foi usada em amuletos e poções do amor, como nos reportam diversos herbalistas dos séculos XVI e XVIII. Hoje é amplamente utilizada pelas indústrias cosmética e perfumeira. 

Óleo Essencial de Cedro (Cedrus atlantica)

O cedro-do-líbano foi a madeira mais famosa da Antiguidade Pré-Clássica e Clássica, principal produto comercializado pelos Fenícios no Egípto, onde a madeira, fosse qual fosse, era rara. Hoje em dia, é do cedro-do-atlas, endémico do Norte de África, que se extrai a maior percentagem de óleo essencial usado em Aromaterapia. 

Família: Pinaceae.

English Name: Cedarwood.

Origem: África e América do Norte.

Aroma: Balsâmico, amadeirado. 

Partes Usadas: Folhas e madeira.

Princípios activos: Cedreno, cedrol e borneol. 

Propriedades: Tónico respiratório, anti-séptico, venotónico, expectorante, sedativo, tónico-capilar, diurético, vermífugo e insecticida.

Fitoterapia Geral: Como balsâmico e anti-séptico, é usado em problemas respiratórios, tosses catarrais, asma, sinusite, gripes e constipações. Também empregue como estimulante do sistema linfático no tratamento da celulite e dores musculares.

Dermatologia: Com frequência é incorporado a tónicos capilares contra queda, seborreia e caspa e também usado na acne-rosácea, frieiras, psoríase, dermatomicoses, eczemas e dermatites.

Psicologia: O óleo essencial de cedro detém um poder relaxante sobre a mente e todo o sistema nervoso central. Alivia ansiedade e stress e actua simultaneamente como estimulante de ondas cerebrais do espectro beta, aumentado a nossa concentração e capacidade para solucionar problemas.

Observações: Este óleo essencial é de baixa toxicidade e pode ser usado com segurança, mesmo diluído a 5 ou 6 %. Deve, contudo, ser evitado em peles sensíveis. Conjuga-se bem com praticamente todos os óleos balsâmicos e cítricos.

Curiosidades: A par da mirra e do incenso, o cedro foi um dos primeiros aromas a ser usado em Aromaterapia, desde os tempos do Antigo Egipto.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Óleo Essencial de Artemísia (Artemisia absinthium)

Já foi temida, já foi perseguida, já foi instrumento de magia negra, já foi insecticida contra as traças, já substituiu o lúpulo na produção de cerveja, já foi remédio. Tantas vezes banida e outras tantas aceite, popularizou-se no século XIX como bebida destilada, o absinto, afrodisíaco e alucinógeno, porque a ele se juntava láudano, a verdadeira fada verde que cativou artistas e escritores por mais de cem anos. Hoje volta a ser moda, mas como erva medicinal, usada em Moxabustão e Aromaterapia.  

Família: Asteraceae.

English Name: Wormwood.

Origem: Península Ibérica, França, Inglaterra, Itália, China e Japão.

Aroma: Herbal.

Partes Usadas: Folhas e caules.

Princípios Activos: Tuiona, azuleno, bisaboleno, canfeno, cineol e canfeno.

Propriedades: Aperitivo, colerético, analgésico, antiespasmódico, vermífugo, tónico uterino, calmante, diurético, anti-inflamatório, galactagogo, estimulante, emenagogo, antimicrobiano, e vermífugo. 

Fitoterapia Geral: Desde sempre empregue como emenagogo, é um regulador do ciclo menstrual e do sistema endócrino, e um vermífugo poderoso, empregue em problemas digestivos e hormonais, transtornos hepáticos, infecções dos aparelhos digestivo e reprodutor, doenças respiratórias e neurológicas, malária, dores de cabeça, dores abdominais, tumores e ulcerações. É empregue na Moxabustão, quer pelos seu efeitos reguladores de todo o organismo, quer pela sua acção psicológica.  
Dermatologia: Usada em abscessos e dermatoparasitoses.  

Psicologia: Neurotónico, o óleo essencial de absinto actua simultaneamente como estimulante e calmante, eficaz em situações de stress intenso, stress pós-traumático e hiper-actividade do sistema nervoso.

Observações: Por ser um forte emenagogo, torna-se abortivo. Não usar na gravidez e usar sempre diluído à razão de 2 gotas por colher de sopa de óleo vegetal, devido à toxicidade da tujona. Pode ser conjugado com aromas balsâmicos e especiados. 

Curiosidades: A artemísia afamou-se pelo seu lado simbólico, mais do que pelo medicinal. O Ocidente medieval e renascentista explorou-o na feitiçaria, ao passo que no Oriente era entronizada como rainha das ervas medicinais, a par de uma congénere sua, a losna-doce, prescrita para o tratamento de constipações, abscessos, sarna e doenças oftalmológicas. 

domingo, 6 de setembro de 2015

Óleo Vegetal de Rosa-Mosqueta (Rosa laevigata, R. moschata & R. canina)

O designado «óleo de rosa-mosqueta» é extraído de diversas espécies de rosa-silvestre, como a rosa-moscada, a rosa-canina e a rosa cherokee, por prensagem das sementes contidas nos seus frutos, ao contrário do óleo essencial de rosa, que é obtido por destilação das pétalas.

Família: Rosaceae.

English Name: Cherokee rose (R. laevigata), rosehip seed oil.

Origem: Chile (R. moschata), EUA e Portugal. Em Portugal é usada sobretudo a espécie R. canina.

Partes Usadas: Sementes.

Aroma: Floral, herbáceo, forte.

Cor: Âmbar.

Princípios Activos: Ácidos graxos: linoleico, oleico e linolénico. Importante fonte de ácido trans-retinóico, um derivado da vitamina A. Comporta ainda vitamina C e betacaroteno.

Propriedades: Emoliente, cicatrizante, regenerador cutâneo, anti-rugas, anti-estrias, anti-envelhecimento.

Usos: Muito usado em cirurgia-plástica, é frequentemente empregue não apenas na eliminação de cicatrizes, como também de manchas provocadas por distúrbios hepáticos, as chamadas «manchas de idade». Tem notória actividade restauradora do tecido cutâneo em casos de queimaduras, dermato-helioses, dermatomicoses, psoríase, quelóides, entre outras. Melhora a qualidade das unhas e amenta a elasticidade da pele, elimina rugas e restaura a pele envelhecida. Empregue em cremes, champôs e condicionadores para dar brilho ao cabelo e tratar comichão do couro-cabeludo e caspa. Por ser facilmente absorvido pela pele é considrrado um “óleo seco”.

Observações: Deve ser usado puro sobre manchas, cicatrizes, psoríase e quelóides, no entanto pode ser misturado a outros óleos na preparação de unguentos e óleos de massagem anti-envelhecimento.

Curiosidade: A R. laevigata, nativa do Extremo Oriente e invasora nos EUA, liga-se miticamente a um triste facto da História, o êxodo forçado dos índios Cherokee para a reserva índia no Oklahoma. Segundo a lenda, os sábios anciãos pediram aos Antepassados um sinal de esperança que acalmasse as mulheres chorosas que percorriam com os filhos aquele que ficou conhecido como o «trilho das lágrimas», os caminhos que partiam das suas aldeias-natal até ao Oklahoma. Em resposta a este apelo, ao longo dos trilhos surgiram rosas brancas bravias, que desde então passaram a ser chamadas de «rosas cherokee».

sábado, 5 de setembro de 2015

Óleo Essencial de Anis-Estrelado (Illicium verum)

Deu origem ao famoso anti-gripal Tamiflu, usado no tratamento da gripe A. Mas muito mais pode fazer por nós, esta que é uma das especiarias mais usadas em todo o mundo desde os tempos de Roma Antiga, onde o seu perfume era relacionado com a arte da sedução e considerado um poderoso afrodisíaco. 

Família: Apiaceae.

English Name: Star anise.

Origem: Maioritariamente do Extremo Oriente.

Partes Usadas: Frutos.

Aroma: Doce, especiado, medicinal, fresco.

Propriedades: Estomáquico, estimulante, hepatotónico, desintoxicante, galactagogo expectorante, anti-séptico, anti-gripal, carminativo, aperitivo, calmante, desodorizante, tónico respiratório, anti-tússico, energizante, diurético, insecticida e antidepressivo.

Princípios activos: Anetol, terpinol, cinelol, limoneno, safrol, α-pineno, α-felandreno e β-cariofileno

Fitoterapia Geral: Eficazmente carminativo, é usado na prevenção de cólicas, espasmos gastro-intestinais, prisão de ventre e flatulência, assim como no tratamento de problemas hepáticos, sobretudo «fígado gordo», intoxicações alimentares e dores de cabeça relacionadas com má digestão, o que faz dele um tónico digestivo por excelência. É também empregue como expectorante e anti-tússico, muito usado em gripes e constipações. O óleo essencial apenas se destina ao uso externo, ao contrário da especiaria em si. 

Dermatologia: Usado em massagem diluído em óleos vegetais proporciona frescura, regenera  a pele e aumenta a sua elasticidade. É energizante e tónico. (2 gotas para 10 ml)

Psicologia: É usado como antidepressivo, sobretudo em conjunto com outras especiarias, que seja sob a forma de óleo essencial ou como tempero. É sedativo e relaxante.  O seu aroma ajuda os bebés e as crianças a dormir. 

Observações: Evitar na gravidez e usar com moderação, diluído quando empregue em massagens. Pode ser conjugado com citrinos, sândalo, benjoim e sobretudo com aromas balsâmicos, se usado no tratamento de problemas respiratórios.

Curiosidades: O seu aroma é muito semelhante não só ao da erva-doce, mas também ao do alcaçuz. As pessoas tendem a confundir o anis e a erva-doce (Pimpinella anisum). A sua forma de estrela de oito pontas fez dele um talismã muito especial, usado em rituais de magia e feitiçaria desde a Antiguidade. 

Unguento Contra Manchas Pigmentares

Com a idade, ou devido ao excesso de sol, surgem na pele manchas pigmentares nem sempre fáceis de "apagar". A seguinte receita pode ser feita em casa e deve ser aplicada duas vezes por dia, de preferência de manhã e à noite, ao deitar, massajando a área afectada:

Óleo de jojoba ou de grainha de uva - 50 ml
Óleo de sementes de rosa-mosqueta (Rosa laevigata) - 2 colheres de sopa
Óleo de sementes de onagra (Oenothera biennis) - 2 colheres de sopa
Óleo essencial de aipo (Apium graveolans) - 44 gotas
Óleo essencial de manjericão (Ocimum basilicum) - 22 gotas
Óleo essencial de sementes de cenoura (Daucus carota) - 22 gotas

A rainha deste unguento é a rosa-mosqueta, pela suas propriedades cicatrizantes, rejuvenescedoras e emolientes, restauradoras do tecido cutâneo e extremamente eficazes na remoção de manchas pigmentares e atenuação de cicatrizes. 

Cuscuz de Outono

Porque o frio veio mais cedo este ano...

Ingredientes:

Feijão-de-metro
Bróculos
Cebola
Alho picado ou em pó
Cenoura
Courgette picada
Cogumelos
Coentros
Manjericão
Pinhões
Azeite
Coscuz
Salgema q.b.
Sumo de limão ou lima.

Numa caçarola salteiam-se em azeite, alho e cebola picada, os legumes previamente cozidos. Acrescentam-se os pinhões, os cogumelos, o majericão e os coentros bem picados. Adicionar mais azeite se necessário. Prepara-se o coscuz  numa taça, regando-o com um pouco de água morna, o suficiente para o humedecer sem o submergir, para que fique solto no final. Logo de seguida, é acrescentado à mistura de legumes e salteado durante aproximadamente 7 minutos. Tempera-se com salgema fino e umas gotas de limão ou lima, um truque que dá sabor a qualquer prato.

Fica bem com chá de erva-cidreira ou lúcia-lima, ou com um suave vinho rosé.

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Óleo Essencial de Cipreste (Cupressus sempervirens)

Imortal incansável, piramidal, balsâmico, o cipreste cedo entrou no imaginário dos povos meso-orientais, que buscaram na sua seiva mágica a eterna juventude. E não andavam longe da verdade...  

Família: Cupressaceae. 

English Name: Cypress.

Origem: Península Ibérica, França e Bacia Mediterrânica.

Partes Usadas: Gálbulas imaturas, gemas e agulhas.

Aroma: Balsâmico, refrescante e herbal.

Princípios Activos: Hidrocarbonetos monoterpénicos e sesquiterpénicos: α-pineno, canfeno, careno, terpinoleno, limoneno, mirceno e cedrol. Cânfora e ácido fórmico.  

Propriedades: Venotónica, adstringente, rubefaciente, anti-séptica, antibacteriana, antiespasmódica, anti-sudorífera, diurética, cicatrizante, béquica, tónico respiratório, anti-seborreica, calmante e repelente de insectos.

Fitoterapia Geral: Em cremes e loções anti-seborreicos e anti-envelhecimento é comummente empregue o extracto glicólico das gálbulas e dos rebentos. O óleo essencial tem forte acção sobre o sistema linfático e circulatório, é usado no alívio de dores musculares e de cabeça, dores reumáticas, varicose, retenção de líquidos, hematomas, hemorroidal e também em problemas hormonais. Muito empregue no tratamento de problemas respiratórios, gripes e constipações.

Dermatologia: Eficaz em peles e cabelos oleosos pela sua acção adstringente, na sudorese e no acne. Usado em cremes anti-envelhecimento e na queda de cabelo, assim como em celulite e gordura localizada.

Psicologia:  Calmante, purificador do ar, o cipreste apresenta-se como um excelente tónico neurológico, pela sua acção sobre o sistema nervoso central.

Observações: Usar sempre diluído, mesmo quando se trata do extracto glicólico, uma vez que este também comporta óleo essencial que pode tornar-se irritante em peles sensíveis. Não usar na gravidez e durante a amamentação. Pode ser conjugado com outros óleos balsâmicos e também com cítricos. 

Curiosidades: Os unguentos à base de cipreste circulam no Mediterrâneo desde a Antiguidade. Os Egípcios eram os seus principais fabricantes e utilizadores. A ideia de «eternidade» que desde sempre acompanha esta árvore, parece ter feito dela um tónico anti-envelhecimento por excelência, e da sua madeira o material ideal para construção de sarcófagos. Ainda hoje encontramos a continuidade desta ideia nos nossos cemitérios, quase sempre assinalados pela presença do cipreste.

Ler mais sobre o cipreste...

Ciprestes (Cupressus spp.) - Arquétipos do Eterno


Espécie: Cupressus macrocarpa Hartw. Ex. Gordon.
Divisão: Gimnospérmicas/Pinophytae
Classe: Pinatae
Ordem: Pinales
Família: Cupressaceae
Sinonímia: Callitropsis macrocarpa (Hartw.) D. P. Little.
Nomes vulgares: Cipreste-de-monterey.
English name: Monterey cypress.

A persistência da sua folhagem densa e escura evoca a eternidade; a sua forma colunar ou piramidal eleva o espírito humano até à morada dos deuses superiores. O cipreste fala-nos de morte iniciática, da perenidade do espírito sobre a matéria corruptível. Na sua presença assumimos o papel de um neófito que desce os primeiros degraus em direcção a um céu interior. Somos imortais na escalada do conhecimento.

O Cupressus sempervirens (cipreste-comum) teve por berço o Médio Oriente e o Mediterrâneo Oriental. O seu congénere C. macrocarpa (cipreste-de-monterey), por seu lado, veio da longínqua Califórnia. De crescimento colunar ou piramidal, de ramos erectos ou patentes, apresentam troncos acinzentados e com fissuras verticais que não descamam. As folhas são opostas, escamiformes, obtusas, rijas e verde-escuras, compactadas em torno dos ramos. Monóicos, apresentam flores femininas globosas que se encontram nas extremidades dos ramos mais curtos; as masculinas formam estróbilos amarelo-esverdeados dispostos nas extremidades dos ramos maiores. Os frutos são pequenas gálbulas globosas, formadas por dez a catorze escamas poligonais, que atingem a maturidade ao segundo ano, adquirindo uma tonalidade amarelada. Cada escama contém até vinte sementes aladas. O cipreste-de-monterey é facilmente moldável pelo vento e adquire, quando adulto, uma copa ampla e de topo achatado, perdendo os ramos inferiores à medida que se desenvolve, ao passo que o cipreste-comum mantém a sua copa colunar ou piramidal, podendo abrir bastante ou manter-se compacta em torno do tronco, praticamente desde a base.


Espécie: Cupressus sempervirens L.
Divisão: Gimnospérmicas/Pinophytae
Classe: Pinatae
Ordem: Pinales
Família: Cupressaceae
Sinonímia: Cupressus horizontalis Mill.;
Cupressus patula Spadoni;
Cupressus sempervirens L. var. numidica Trab.
Nomes vulgares: Cipreste-comum,
cipreste-de-itália,
cipreste-dos-cemitérios, cipreste-mediterrânico.
English name: Italian cypress.

A nível medicinal, o cipreste-comum foi desde sempre usado como depurativo. A sua resina possui propriedades béquicas e rubefacientes. O óleo essencial é rico em taninos, hidrocarbonetos, cânfora, ácido fórmico, pineno, canfeno e álcool terpénico. Não deve ser tomado durante a gravidez, lactância e em caso de distúrbios nervosos.

O ritidoma e as folhas são colhidos na Primavera, quando a árvore retoma o fluxo da sua seiva. Possuem propriedades adstringentes, antibacterianas, anti-fúngicas, anti-hemorroidais, vasoconstrictoras e diuréticas. A sua decocção é empregue em problemas urinários, rectais, uterinos e da próstata. Externamente é empregue sob a forma de óleo no tratamento do hemorroidal. A decocção das ramas e dos frutos verdes é usada externamente em compressa anti-acnéicas, gargarejos, inflamação e sangramento das gengivas, chagas, úlceras e transpiração excessiva dos pés (sudorese podal). A tintura dos frutos é utilizada na remoção de verrugas.
Os frutos são adstringentes, antibacterianos, tónicos circulatórios, empregues no tratamento de varizes, metrorragias, prostatites, edemas e enurese nocturna. Mitigam problemas respiratórios (inalações do óleo essencial), tosses, bronquite e asma.
   
Menos usado é o cipreste-de-monterey, contudo é útil no alívio do reumático. Por norma recorre-se à decocção ligeira das ramas, cerca de 30g/litro.

As origens míticas destas árvores são inúmeras e todas elas intimamente relacionadas com a morte. Uma das mais antigas fala-nos da morte trágica e temporã de Ciparissa, filha do Vento Norte, Bóreas, que para os Trácios havia sido um importante rei celta. O rei terá plantado um cipreste, até então desconhecido, sobre o túmulo da filha, e doravante esta árvore passaria a representar os mortos.

Outro mito conta-nos a história de um belo rapaz, Ciparisso, protegido de Apolo, segundo umas versões, de Zéfiro ou Silvano, segundo outras, que se fazia acompanhar por um cervídeo domesticado, pertença de Apolo. Certa noite, por equívoco, o jovem alvejou o animal, que acabou por morrer. O profundo desgosto que o acometeu fê-lo chorar até o seu corpo se transformar em árvore e as suas lágrimas em resina. Desde mito parece derivar o topónimo «Chipre», ilha onde os ciprestes são emblemáticos.

Um outro mito narra a morte trágica das filhas do rei Etéocles da Beócia, as «Ciparissas», afogadas numa fonte durante uma festa em honra de Deméter, e transformadas em árvores por piedade de Geia.

Dedicados a Saturno e a Hades, os antigos Gregos colocaram os ciprestes sob a alçada de Hércules e atribuíram-lhes incontáveis poderes mágicos ligados à ressurreição e aos Mistérios Órficos do eterno retorno e da negação da morte.  A longevidade destas árvores, que chegam a ultrapassar os dois mil anos de idade, e a incorruptibilidade da sua madeira, resistente ao ataque dos bichos, muito contribui para que sejam associadas às esferas do Eterno e do Imutável. Por esta razão, as leis eram, na Grécia Clássica, escritas em madeira de cipreste, como garante da perenidade das mesmas. Também os ataúdes dos guerreiros, assim como os sarcófagos faraónicos, eram talhados desta madeira que os transportaria para a Eternidade.

Como mãos-postas em oração pelas almas já idas, ainda hoje enfeitam os nossos cemitérios como enfeitaram os da Antiguidade e os islâmicos, remetendo os visitantes para as virtudes do silêncio, da meditação e da elevação do espírito, as mesmas que presidem às formas arquitectónicas colunares que encontramos desde a Antiguidade até ao seu clímax nas catedrais góticas.

Ler mais sobre o óleo essencial de cipreste...

Figueira (Ficus carica) - A Vara da Serpente


Espécie: Ficus carica l.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Rosales
Família: Moraceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes vulgares: Figueira, figueira-do-reino, figueira-comum,
figueira-de-portugal, figueira-da-europa, bebereira,
figo-de-capa-rôta, figueira-de-baco, figueira-mansa.  
English name: Figtree.

Criptogâmica polémica, árvore bíblica, divina, traiçoeira, primordial. Esperamos descobrir nela uma serpente cósmica, uma «Kundalini» enroscada no eixo do mundo, uma «Uadjit» pronta a desvendar-nos os seus mistérios fecundos sob a forma de flores guardadas em cofres, quais tesouros de um rei egípcio.

A figueira é uma das mais bravias árvores de fruto. São comuns por todo o mundo mediterrânico e meso-asiático, ocupam os ruderais com a sua sombra estival, invadem os baldios, apoderam-se das casas abandonadas. Não há lugar que não as acolha, nem proprietário que não se alegre com a sua chegada.

Este microfanerófito, que raramente vai além dos três metros de altura, quando podado, apresenta uma copa muito ampla e curvada até quase ao solo, o que lhe confere por vezes um aspecto mais arbustivo do que arbóreo. As suas folhas, caducas, são largas, de grandes dimensões e dotadas de lobos arredondados. As flores surgem no interior dos ramos e desenvolvem-se a par da infrutescência que originam, um sícone, composto por numerosos e exíguos aquénios que ficam encerrados no receptáculo, cujas paredes são forradas por flores unissexuais femininas. As flores masculinas ocupam o ostíolo, formando o “olho do figo”, ao passo que as femininas encerram nos seus ovários o verdadeiro fruto da figueira, uma pequena grainha que confere ao figo parte das suas propriedades laxantes. Existem espécies unissexuais femininas que, longe do seu local de origem, só se propagam por estaquia. A reprodução destas árvores, que por cá se tornaram silvestres, é quase uma saga épica e bastante intrigante.

Crê-se que a figueira seja originária da Arábia, onde existe maior número de espécies. As figueiras europeias são variedades "domésticas" que começaram a surgir aquando dos primórdios do seu cultivo no Neolítico meso-asiático, a partir de espécies silvestres dióicas e monóicas aí existentes, conhecidas como «figos-de-esmirna», que exigem a proximidade de «caprifigos» para se reproduzirem. Nas regiões onde a figueira é endémica – grande parte de África, sul da Península Arábica e corredor Sírio-Palestiniano – existe uma vespa sem ferrão, designada Blastophaga psenes, que deposita os seus ovos nos ovários das flores femininas dos caprifigos, através do ostíolo (olho do figo), uma vez que as flores femininas dos caprifigos têm estiletes mais curtos, o que facilita a introdução dos ovos, isto porque a vespa tem também um ovipositor curto. Por este motivo, as figueiras femininas, partenocárpicas amplamente cultivadas hoje em dia, com os seus estiletes compridos têm mais probabilidades de gerar infrutescências (os figos), porque não desenvolvem os ovos dos polinizadores. Nas flores femininas dos caprifigos, as larvas da vespa eclodem e os machos fertilizam as fêmeas. Por serem ápteros, os machos nunca saem do caprifigo, aí acabando por morrer. As fêmeas, aladas e agora fertilizadas, ao saírem pelo ostíolo arrastem consigo o pólen das flores masculinas aí reunidas, com que caprificarão (fertilizarão) as outras figueiras. 

À semelhança da vinha, também de algumas variedades de figo se produz vinho. Falar de figueiras não é muito diferente de falar de castas vinícolas. Existem inúmeras variedades de figo, classificadas basicamente em três tipos, as brancas, as coradas e as escuras. De entre elas as mais cultivadas em Portugal são a «baforeira», o «olho-de-perdiz», a «bêbera branca», a «smirna» e a «real», esta última popularmente designada «abêbora». Algumas variedades conhecidas em termos genéricos por «pingo-de-mel» e «capa-rôta», referem-se aos figos vindimos do final do Verão, geralmente mais doces que os figos lampos que surgem por volta do São João, podendo algumas figueiras frutificar em ambas as épocas e apresentar figos de colorações diferentes, como é o caso da variedade «pingo-de-mel», cujos figos vindimos, de cor esverdeada, são qualitativamente superiores aos lampos, de cor escura.

De grande valor nutritivo e gastronómico, as infrutescências da figueira, os figos, são ricos em proteínas, hidratos de carbono, fibras, cálcio, ferro, cloro, bromo, potássio, fósforo, magnésio, manganês, sódio, vitaminas A, B1, B2, B3 e C. Dotados de propriedades anti-cancerígenas, digestivas, emolientes, béquicas, laxantes, balsâmicas, calmantes, tónicas, galactagogas e depurativas, os figos tantos podem ser consumidos crus, secos ou cozinhados. Os figos secos cozinhados em leite ou água são tradicionalmente empregues como expectorantes e emolientes. O látex branco, rico em amílase, protéase e enzimas, que as ramas e a casca dos figos contêm, é usado topicamente para eliminação de verrugas, calos e picadas de insectos, em particular das abelhas e das vespas, para além de ser o coalhante ideal, quer do leite, quer de bebidas vegetais (soja, arroz, aveia, etc), para o fabrico de queijo e iogurte. Deve, porém, ser usado com precaução, isto porque a sua causticidade pode causar dermatites de contacto e até mesmo queimaduras.

Pelo seu alto valor nutritivo, cerca de 350 calorias/100g, e digestibilidade, o figo adquire especial importância na dieta dos desportistas, dos convalescentes, das crianças, das grávidas e dos idosos, sendo genericamente prescrito em casos de astenia. Também são empregues no tratamento de inflamações internas e externas, problemas pulmonares, urinários e gastrointestinais. A infusão das folhas é utilizada como emenagogo e em casos de tosse, gripes e constipações. O xarope de figo é um laxante suave e eficaz, que não desgasta a flora intestinal, podendo ser tomado em todas as idades. Cozinhados juntamente com outros alimentos, os figos estimulam a produção de leite materno pela sua acção galactagoga.

A par do cultivo da vinha, da oliveira e da tamareira, os figos detinham um valor económico, cultural e alimentar de máxima importância para os Púnicos, em geral, e para os Cartagineses, em particular. Catão, o Censor, acérrimo apologista da destruição de Cartago, convenceu definitivamente o Senado Romano a precipitar a Terceira Guerra Púnica, mostrando a todos os presentes uma cesta de figos frescos, colhidos havia apenas três dias, o que demonstrava que o inimigo estava geograficamente muito próximo. Ou, como escreveu Eça de Queirós em 1893, na Gazeta de Notícias, a respeito da famigerada gula romana, Catão fez decidir a última guerra púnica, mostrando, aos olhos gulosos do Senado, a beleza e o tamanho dos figos de Cartago.

Compreendendo as particularidades reprodutivas das figueiras, que se ocultam dos olhos nus, torna-se mais fácil perceber o mito que as envolve nas mais diversas tradições africanas e euroasiáticas, que fizeram delas altares sagrados, ligados a cultos da fertilidade, mas também à morte e ao renascimento. O seu carácter dual e iniciático equipara-as ao salgueiro-chorão ou ao álamo-branco, e a riqueza dos seus frutos torna-as símbolo de abundância, tal como a vinha e a macieira. Deixados nas covas dos mortos e ofertados aos génios guardiães dos lugares, os figos marcam igualmente presença, física ou simbólica, nos nascimentos e nos ritos de passagem de diversas tribos centro-africanas. Vida e Morte tocam-se nos extremos deste Uroboros. Na Índia, associada à figueira surge-nos a dicotomia Vishnu/Shiva, deuses da Criação e da Destruição, respectivamente, ou, para sermos mais exactos, dois aspectos da Existência. 

Na Grécia Antiga, é pertença simultânea de Deméter e de Dionísio, da vida que os campos férteis evocam e da noite ancestral que guarda os segredos mais profundos da alma humana. No Antigo Egipto, a figueira assume um papel iniciático ligado à fecundidade da mente e do espírito. Abrir o figo é desvendar os mistérios da Criação, da ancestralidade que religa o Homem aos deuses que o engendraram. Por extensão, às folhas desta árvore era atribuído um poder divinatório que só os sicomantes sabiam interpretar. Associada à figueira anda a serpente, guardiã do conhecimento, protectora da realeza. Cleópatra, no intuito de se suicidar e escapar, assim, à humilhação de ser exibida nas ruas de Roma como troféu, terá pedido que lhe levassem, escondida numa cesta de figos, uma cobra-capelo, zoofania da deusa Uadjit, patrona do Baixo Egipto, cuja imagem surgia tutelarmente sob a forma de uma uraeus nas coroas dos faraós.

Com as folhas largas das figueiras cobriram-se Adão e Eva ao tomarem consciência da sua nudez. Escondem, assim, os órgãos sexuais, tal como a figueira esconde os seus, num paralelismo que não podemos ignorar.

Na Grécia Antiga, chamavam-se «sicofantes», reveladores dos figos, aos delatores dos contrabandistas de figos no Egeu, aos traidores e a quem proferisse acusações sem fundamento. Talvez por continuidade desde conceito, a figueira seja vista como a árvore em que Judas se enforcou após ter denunciado Jesus Cristo, revelando-o através de um beijo, o que uma vez mais nos remete para a expressão «revelar o Sykon», caluniar, acusar injustamente, entregar um inocente. 

Entre as tribos africanas do Chade, por exemplo, ainda hoje o látex da figueira é sacralizado nas práticas diárias por associação ao leite. As mulheres Kotoco não só consomem os figos quando estão a amamentar, como perfuram os ramos das figueiras para derramar o látex, num acto de puro mimetismo com a natureza. De facto, e retomando o tema medieval da Teoria das Assinaturas, a figueira apresenta, como acima se viu, propriedades galactagogas, que estimulam o leite materno, actividade bioquímica que a árvore parece querer assinalar mediante o seu látex branco e fluido.
   
Para os Sufi, a figueira e a oliveira apresentam-se como facetas complementares da Natureza, às quais os humanos estão ligados por força da personalidade e da evolução anímica. Nunca é de mais salientar que o simbolismo é uma faceta cerebral, a par da cognição, baseada num sistema de semelhanças e oposições que toma como base a experiência, a cultura e o próprio corpo, como afirma Victor Turner. O valor económico que estas espécies arbóreas sempre detiveram na vida destes povos, faz com que tenham sido desde cedo simbolizadas. Deste modo, misticismo e sobrevivência coexistem numa relação de reciprocidade, sem que se excluam mutuamente.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Perpétuas-das-Areias (Helichrysum italicum)

É provavelmente o óleo mais raro e mais caro que podemos encontrar em Aromaterapia. O aroma desta planta, que muitos julgam tratar-se de caril, alcança longas distâncias, temperando as praias e as falésias por onde o vento o espalha. 

Família: Asteraceae (Compostas). 

English Name: Helichrysum, curry plant. 

Origem: Portugal, Bacia do Mediterrâneo, EUA.

Partes Usadas: Flores, colhidas logo no início da ântese.

Aroma: Especiado, quente. Lembra o do Caril.

Princípios Activos: Acetato de nerilo (>30%), nerol, cetonas (italidionas), butirato de nerilo e β-cariofileno.

Propriedades: antialérgicas, anti-urticantes, anti-inflamatórias, antidepressivas, anti-fúngicas e vulnerárias.

Fitoterapia Geral: Empregue no tratamento de doenças respiratórias e dermatológicas. Pode ser usado puro sobre as zonas inflamadas e também internamente, à razão de 2 gotas duas vezes ao dia, diluídas em água, chá ou sumos.

Dermatologia: Este óleo é muito eficaz na acne-rosácea e na cura de escaras. Usado no tratamento da psoríase e da urticária. 

Psicologia: O aroma das perpétuas-das-areias tem acção estimulante sobre o hemisfério direito do cérebro, consequentemente aumentando as ondas dos espectros alpha, theta e delta, o que faz dele um poderoso anti-depressivo e tónico neurológico. 

Observações: Embora possa ser usado puro e até internamente, a sua raridade faz dele um dos óleos essenciais mais caros, pelo que deve ser diluído de modo a rentabilizá-lo. 

Curiosidades: Há quem confunda o seu aroma com o do caril, julgando tratar-se da planta que origina esta especiaria, contudo o caril não se trata de uma especiaria em si, mas de uma mistura que chega a comportar mais de cinquenta ingredientes, entre eles o açafrão. Em Portugal apenas existe uma outra espécie de Helichrysum que pode ser usada dermatologicamente contra as dermatomicoses, é a H. stoechas, mais nenhuma das outras pode ser utilizada com sucesso, visto não deterem os mesmos princípios activos. 

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Bétula (Betula pendula)

Também conhecida pelo nome de vidoeiro, a cultura popular relaciona-a com a sabedoria e atribui-lhe valor apotropaico contra todo um catálogo de demónios. Esta caducifólia druídica faz-se notar principalmente no Inverno, não apenas pelo seu tronco prateado e esguio, mas pelas suas propriedades terapêuticas, às quais recorremos nos meses mais frios.  

Família: Betulaceae.

English Name: White Birch.

Origem: Europa, Canadá e EUA. Também produzido em Portugal.

Partes usadas: Ritidoma e gemas.

Aroma: Balsâmico e medicinal.

Princípios Activos: Ácido salicílico, salicilato de metilo, álcoois sesquiterpénicos, betulina, betulenol (álcool triterpénico), taninos, leucoantocianidinas, ácidos fenólicos, vitamina C, resina e sais minerais.

Propriedades: Anti-séptico, bactericida, antinflamatório, adstringente, antiespasmódico, analgésico, depurativo, rubefasciente, expectorante, anti-radicalar, colerético, relaxante muscular, descongestionante e diurético.

Fitoterapia Geral: Oriunda do frio, é no tratamento dos problemas relacionados com o frio que mais se faz notar o seu poder. Como rubefaciente e analgésico, este óleo proporciona o aquecimento dos membros frios e das áreas massajadas. Alivia o reumático, a artrite, as dores musculares, as frieiras e a fadiga física. Como diurético e anti-inflamatório é empregue no tratamento de cistites, infecções e litíases urinárias/renais e é um poderoso aliado na eliminação de toxinas, celulite e gordura localizada. Promove a imunidade a doenças contagiosas.

Dermatologia: Excelente tónico em peles oleosas e acneicas, trata dermatites, psoríase, ulcerações, eczemas, edemas e ferimentos. As folhas da bétula são usadas em remes refirmantes. Os extractos glicólicos são empregues em loções anti-envelhecimento. O óleo essencial é bastante usado em massagens de relaxamento, por proporcionar alívio da tensão e das dores musculares.

Psicologia: Proporciona bem-estar e ânimo, aliviando a fadiga física e mental. 

Observações: Embora não lhe seja conhecida toxicidade, é muito utilizado o óleo essencial de uma espécie norte-americana, a B. lenta, cujo uso excessivo pode tornar-se tóxico. O óleo essencial deve ser diluído à razão de 1 gota por colher de sopa de óleo carreador. Não usar em grávidas, lactantes e crianças pequenas. Pode ser conjugado com  maioria dos outros óleos.

Curiosidades: Na Finlândia, as folhas da bétula são usadas em substituição de chá preto. Da seiva desta árvore faz-se um vinho espumante. Há conhecimento do uso da sua madeira desde o Mesolítico. Ainda existe o hábito de mascar o seu ritidoma para eliminação da halitose e como analgésico, visto conter ácido salicílico, o princípio activo da aspirina. Esta árvore é das mais comuns nos bosques e margens ripícolas do norte de Portugal, a par dos carvalhos, castanheiros e faias.

Imagem: Flora von Deutschland, Osterreich und der Schweiz, Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé (1885-1905).

Angélica (Angelica archangelica)

Veio da Escandinávia ocupar os lugares sombrios das galerias ripícolas nas regiões mediterrânicas. No século XV era já muito afamada em Itália pelo intenso aroma condimentado e anti-séptico das suas raízes. Até finais do século XVIII foi amplamente utilizada na prevenção de surtos de peste bubónica, e de outras que se fizeram sentir pelo século XX adentro.   

Família: Apiaceae (Umbelíferas).  

English Name: Angelica.

Origem: Norte da Europa.

Partes Usadas: Raízes, folhas e sementes.

Aroma: Especiado, fresco, adocicado.

Princípios Activos: Α-felandreno, β-felandreno, careno e α-pineno (hidrocarbonetos monoterpénicos), umbeliferona e ostol (cumarinas), lactonas macrocíclicas, ácidos polifenólicos, flavonóides, taninos e furanocumarinas (angelicina, arcangelicina, xantotoxina, isoimperatorina e bergapteno).

Propriedades: Antidepressiva, anti-séptica, rubefaciente, expectorante, analgésica, antiespasmódica, carminativa, laxante, expectorante, hepatotónica, aperitiva, sudorífera, diurética, febrífuga, sedativa e emenagoga.

Fitoterapia Geral: Usada como tónico digestivo pelos seus efeitos carminativos. Melhora situações de refluxo gástrico, dispepsia, úlceras estomacais, cólicas, espasmos intestinais e problemas hepáticos. Muito eficaz em drenagem linfática, é desintoxicante e fortalecedora do sistema imunitário. Usada no tratamento de gripes, tosses, constipações, febres, asma, gota e reumático. Trata problemas respiratórios/pulmonares e desequilíbrios hormonais, atenua as dores derivadas de nevralgias e artrite reumatóide e regula o ciclo menstrual. Como calmante, é eficaz contra a insónia, quer seja por inalação do aroma, quer tomada em tisana feitas com a raiz. O uso excessivo pode provocar o efeito contrário. 

Dermatologia: É fototóxica; a exposição ao sol deve ser evitada quando usada esta planta, seja sob a forma de óleo essencial, seja em tisanas, assim como em cremes que comportem extractos glicólicos. Apenas os extractos aquosos não são susceptíveis de gerar fototosensibilidade, sendo por isso os mais utilizados em cremes e loções anti-rugas e anti-celulíticos. 

Psicologia: Sincroniza ondas cerebrais alpha e theta, é revitalizante, cardiotónica, neurotónica e eficazmente antidepressiva. 

Observações: Usar diluído, evitar na gravidez e em crianças e nunca usar antes de uma exposição solar, mesmo que ligeira, isto devido à presença de furanocumarinas. É facilmente conjugável com outros aromas especiados, mas também com aromas balsâmicos e cítricos.

Curiosidades: Os caules cristalizados e as sementes desta planta são usados nos licores Vermute e Chartreuse. As folhas e as sementes são muito utilizadas na gastronomia europeia.

Imagem: Flora von Deutschland, Osterreich und der Schweiz, Prof. Dr. Otto Wilhelm Thomé (1885-1905).

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Azeite (Olea europaea var. europaea & var. sylvestris)

Família: Oleaceae.

English Name: Olive oil.
  
Origem: Mediterrâneo, de Israel a Portugal.

Partes Usadas: Polpa do fruto.

Aroma: Frutado, suave, por vezes ligeiramente condimentado, dependendo da variedade de oliveira ou zambujeiro.

Cor: Depende da variedade de azeitona utilizada, pode ir desde o amarelo ao verde-escuro.

Princípios Activos: Ésteres glicéricos dos ácidos oleico (80%), linoleico (7%), esteárico (12%) e palmítico (10%), esqualeno (até 7%), fitoesteróis, carotenóides e vitaminas A, D, K e E.

Propriedades: Emoliente, hidratante, anti-inflamatório, dermoprotector, rejuvenescedor, regenerador do tecido cutâneo, antioxidante, nutriente e sintetizador do colagénio.

Usos: É um dos óleos mais antigos, a par do de linhaça, usado não só na alimentação, mas sobretudo na iluminação e na preparação de unguentos e medicamentos. Utilizado em cremes anti-envelhecimento e sabonetes/champôs hidratantes e anti-caspa, com grande tradição em Israel. Bom carreador e como óleo de massagem em peles secas e com tendência a escamar. Trata e previne queimaduras. Muito utilizado no tratamento na psoríase. A medicina popular dá-lhe lugar de destaque na cura das mais variedades doenças e no alívio de todo o tipo de dores. O azeite de zambujeiro (oliveira silvestre) é de elevada qualidade e pode ser empregue para os mesmos fins.
  
Observações: Não diluir. Certifique-se de que é um azeite prensado a frio. Recomendo o Kosher judaico, uma vez que é produzido a frio e apenas com a polpa, sem a pele e o caroço, o que o torna mais suave. 

Oliveira (Olea europaea) - Templo de Luz

Espécie: Olea europaea L. var. europaea.
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Lamiales
Família: Oleaceae
Sinonímia: Não encontrada.
Nomes comuns: Oliveira
English name: Olive tree.
Poucas árvores terão uma história tão longa como a da oliveira e seu parente silvestre, o zambujeiro. O termo «árvore» por si só não os define, e o alimento que fornecem é muito mais do que um combustível para corpo. Da iluminação da noite à do espírito, estes seres vegetais têm vindo a afastar as trevas do caminho da humanidade…

A história da oliveira e do zambujeiro é sem dúvida mais poderosa do que qualquer mito que se lhes atribua. São árvores da iluminação, e não apenas em sentido figurado. O azeite, mais do que um simples alimento, já foi o combustível da humanidade até ter sido suplantado pelo petróleo e pela electricidade. 

Pouca diferença existe entre estas duas variedades, a silvestre e a doméstica, pois tratam-se de facto de variantes, não de espécies distintas. A oliveira é um cultivar doméstico com dezenas de variedades bem distintas, muito à semelhança da videira, e para que se mantenha domesticada tem de ser reproduzida por estaca. De um caroço semeado nascerá sempre um zambujeiro, pois volta de imediato à sua condição silvestre.

A oliveira cresce um pouco mais se tiver boas condições para tal, as suas folhas são ligeiramente maiores, igualmente lanceoladas e coriáceas, escuras na página superior e mais claras na inferior, devido à presença de escamas muito ligeiras e macias. As flores, brancas e tetrâmeras, nascem em rácimos entre Maio e Julho. As azeitonas da oliveira, colhidas por volta do mês de Setembro, são mais carnudas que as do zambujeiro, mas igualmente ovóides e negras ou esverdeadas, dependendo do cultivar. Os troncos destas árvores, de um tom cinzento-escuro, tornam-se muito rugosos e recticularmente fendidos com a idade, e não é raro encontrarmos exemplares centenários, como o da foto, já que esta espécie pode ultrapassar os dois mil anos, como ocorre com frequência no Médio Oriente, de onde a oliveira doméstica é originária.

O valor nutricional e medicinal do azeite faz dele o ouro líquido da dieta mediterrânica. Rico em fitosteróis, carotenóides, ésteres glicéricos (ácidos oleico, linoleico, esteárico e palmítico) e vitamina E, o azeite cru é usado no combate ao colesterol. O seu aquecimento provoca a perda e a degradação dos seus princípios activos. As folhas possuem grande valor medicinal e cosmético. Ricas em luteol, manitol, olivol, iridóides, ácidos fenólicos, saponósidos, etólidos, cálcio e taninos, são empregues pela sua acção emoliente, suavizante e protectora. A oliveira é mais produtiva que o zambujeiro, isto porque o seu fruto é maior, no entanto a qualidade do azeite de zambujeiro não lhe fica atrás.

O uso cosmético do azeite e do extracto das folhas é muito alargado, pela sua acção sintetizadora do colagénio. A par da cera de abelha, do óleo de amêndoas-doces, da lanolina e de óleos essenciais, o azeite é desde longa data usado como base para todo o tipo de cremes corporais e de rosto, quer medicinais, quer de uso corrente, além de sabonetes e máscaras hidratantes anti-envelhecimento.

Na época clássica, o azeite que circulava em ânforas por todo o Mediterrâneo, raramente era empregue na alimentação, onde eram mais frequentes óleos piscícolas como o liquamen e o alec. Para o azeite estavam reservadas outras funções. Além do seu uso cosmético, em cremes e unguentos, era comummente empregue na iluminação, de que as belas lucernas são testemunho.  

Paz, sabedoria, iluminação, fecundidade, pureza, vitória… O seu significado simbólico acha-se intrinsecamente ligado à sua principal função, a de iluminar. Presentes no paraíso dos bem-aventurados, as oliveiras trazem inscrito nas suas folhas o verdadeiro nome de Deus, segundo crêem os povos meso-orientais. Foi um ramo de oliveira que a pomba branca levou a Noé para anunciar a existência de terra; a cruz de Cristo foi feita da madeira desta árvore e da do cedro, o que nos remete de imediato para a soma entre as ideias de paz/pureza e imortalidade. 

Ligada aos Mistérios de Elêusis, na Grécia Antiga, era consagrada a Atena, deusa da sabedoria, representada por uma coruja, pássaro noctívago que penetrava nos santuários a coberto da escuridão para beber o azeite das luminárias, prova de que o mundo natural e o espiritual por vezes fundem-se e confundem-se… Se olharmos para o extremo asiático, descobrimos que toda esta simbólica encontra fortes paralelismos.

Em Roma, onde a oliveira já existia pelo menos desde os primórdios da Monarquia, na época de Tarquínio Prisco era consagrada aos deuses capitolinos, Júpiter, Juno e Minerva, abarcando os significados de vitória, fecundidade e sabedoria. Talvez pela sua ligação a Júpiter, deus do Raio, se diga que os ramos das oliveiras acalmam tempestades.

E porque o mundo invisível é superior a crenças e a dados científicos, vamos encontrar três pastorinhos em Fátima, no ano de 1917, a conversar com a Virgem que desceu sobre uma azinheira num olival. Na Antiguidade, uma outra virgem, ou talvez a mesma, era retratada sobre uma oliveira a falar às crianças. Tratava-se de Cíbele, a deusa representada por um meteorito negro, o mesmo que foi levado de Pessinunte, na actual costa da Turquia, para Roma, durante a Segunda Guerra Púnica, pois só Cíbele tinha um poder capaz de derrotar Aníbal e defender a República. 

O aspecto sagrado depressa evoluiu para um cariz apotropaico. O azeite afugenta o mal, tal como a luz que proporciona. A magia popular faz dele um ingrediente indispensável para revelar o quebranto e toda uma sorte de enguiços, para desfazer e fazer feitiços, para «amarrar» os espíritos das divindades aos lugares e assim consagrá-los. Derramar azeite por acidente é mau presságio e deve ser corrigido traçando sobre ele uma cruz de sal. Talvez por este motivo se chame «azeiteiro» ao diabo, o que espalha azeite para atrair má sorte. Com azeite reza-se, baptiza-se, benze-se, e no passado a colheita da azeitona atingiu requintes verdadeiramente iniciáticos. Elegia-se a mordoma, o alferes, criavam-se rituais de acordo com as tradições, celebrava-se a «adiafa», expressão de origem árabe que remete para «festejo», realizava-se a tiborna, almoço dos lagareiros que celebrava o fim da extracção do azeite.

Portugal é um dos maiores produtores de azeite. De norte a sul do país encontram-se azeites com diferentes graus de acidez, com texturas e aromas distintos. Um dos melhores é o judaico, o Kosher, produzido em Belmonte, um azeite muito suave obtido a frio através de azeitonas peladas e descaroçadas.

Ler mais sobre as propriedades do azeite como óleo de massagem...

Óleo Vegetal de Amêndoas-Doces (Amygdalus communis var. dulcis)

Família: Rosaceae.

English Name: Sweet almond oil.
  
Origem: Mediterrâneo, sobretudo Espanha.

Partes Usadas: Sementes.

Aroma: Neutro.

Cor: Amarelo-claro, quase incolor.

Princípios Activos: Triglicéridos dos ácidos oleico (>60%), linoleico (>20%), esteárico e palmítico, esteróis, β-sitosterol, carotenóides, vitaminas A, B1, B2, B6 e proteínas.

Propriedades: Emoliente, hidratante, anti-inflamatório, dermoprotector, rejuvenescedor, regenerador do tecido cutâneo, antioxidante e nutriente.

Usos: Pode ser usado a solo como emoliente em peles secas e estriadas, psoríase e ictiose. Usado na gravidez, evita o surgimento de estrias abdominais. Muito empregue em cremes suavizantes anti-rugas e em champôs e condicionadores para cabelos finos e secos. Deve ser aplicado directamente sobre a crosta láctea dos recém-nascidos e usado como óleo de massagem, com ou sem óleos essencais. Também usado como desmaquilhante.  

Observações: Não diluir. É um óleo seguro e pode ser usado em grávidas, lactantes e lactentes. Não pode ser substituído pelo óleo de amêndoas-amargas, que é tóxico devido à presença de ácido cianídrico. 

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Amendoeira (Amygdalus communis) - A Neve do Sul

Espécie: Amygdalus communis L. var. dulcis
Divisão: Magnoliophytas
Classe: Magnoliopsidas
Ordem: Rosales
Família: Rosaceae (tribo das Prunoídeas)
Sinonímia: Prunus dulcis (Miller) D .A. Webb.
Nomes comuns: Amendoeira, amendoeira-doce, amendoeira-amarga.
English name: Almond tree.
Diz a lenda que um rei muçulmano mandou plantar um vasto amendoal para agradar a sua esposa, uma princesa cristã oriunda do Norte, que se achava saudosa da neve da sua terra-natal. Certa manhã de Inverno, a princesa deparou-se com uma invulgar paisagem nevada de flores em terras algarvias. 

A Amendoeira é originária do Médio Oriente, em particular da Síria e da Palestina, e foi introduzida na Península Ibérica pelos Muçulmanos. O seu fruto, a amêndoa-doce, ocupa um lugar de eleição na doçaria árabe.

Trata-se de um microfanerófito de folha caduca verde-clara, glabra, inteira e lanceolada, de margem ligeiramente serrada. As flores apresentam cinco pétalas brancas ou branco-rosado, estames róseos e sépalas não coincidentes com as pétalas. O seu fruto é uma drupa, a amêndoa.

Em Portugal é cultivada de norte a sul, com especial incidência nas regiões de Trás-os-Montes e Algarve. A floração é efémera e varia consoante o clima, sendo que no sul ocorre ainda em Janeiro, enquanto no norte ocorre já em finais de Fevereiro.

O óleo da amêndoa, o célebre «óleo de amêndoas-doces», é frequentemente empregue como carreador na extracção de óleos essenciais de outras plantas, aos quais acrescenta a sua acção hidratante e emoliente. Com efeito, o óleo das sementes da amendoeira contém heterósidos cianogenéticos que, após maceração em água, resulta num óleo essencial contendo aldeído benzónico. A variedade A. communis amara (amarga) é muito rica em ácido cianídrico e o seu óleo é tóxico e não pode ser usado na pele. Os óleos essenciais extraídos das sementes dos seus congéneres prunoídeos, como o damasco, o pêssego, o abrunho e a ameixa, também possuem aldeído benzónico e são muitas vezes procurados pela indústria produtora de óleos. 

Para além de ser usada em gastronomia, sobretudo em doçaria, a amêndoa-doce combate a azia e as dores estomacais. As flores da amendoeira são vermífugas e laxantes; as suas folhas são analgésicas e a segunda casca do seu fruto é febrífuga e diurética O leite obtido a partir da amêndoa atenua as manchas da pele, ao mesmo tempo que a hidrata. A infusão da casca e do próprio fruto é indicada em para tratamento da tosse convulsa.   

Existem em Portugal três variedades de amendoeira: a amendoeira-durázia, a amendoeira-molar e a amendoeira-de-coca. Todas elas apresentam variedades amargas e doces. 

Na Bíblia, a amêndoa representa muito mais do que um fruto, é emblema da eternidade e da renovação.

«E Moisés pôs estas varas [as varas representativas das 12 tribos de Israel, levadas por cada um dos seus representantes] perante o senhor, na tenda do testemunho. Sucedeu que, no dia seguinte, Moisés entrou na tenda do testemunho, e eis que a vara de Araão, pela Casa de Levi, florescia; porque produzira flores, brotara renovos e dera amêndoas» 
Números, 17, 7-8